Pedro Fontes Falcão
Pedro Fontes Falcão 08 de agosto de 2017 às 19:23

A Autoeuropa chora pelo Chora?

É surpreendente como a Autoeuropa corre o risco de desperdiçar a oportunidade de ter mais trabalho. Conseguiram chegar a acordo quando a produção diminuiu em 2003 e não conseguem chegar a acordo quando a produção agora aumenta?

O André Veríssimo já alertou para esta questão aqui no Negócios.

 

António Chora, o histórico líder da Comissão de Trabalhadores (CT), reformou-se. E já surgiram problemas, ainda por cima quando há mais carros para se produzir?

 

A Autoeuropa já afirmou que pretende contratar 2.000 colaboradores. O primeiro-ministro António Costa deveria estar feliz com a notícia, assim como todos os portugueses. Espero que não fiquemos desapontados pois os trabalhadores já marcaram uma greve para 30 de agosto. E como a greve é uma situação negocial "lose-lose", esta só poderá servir os interesses dos trabalhadores se estes vierem a ter ganhos futuros que compensem os custos de perda de salário de um dia e do denegrir da relação dos trabalhadores com a administração e a empresa. Já fizeram uma boa análise e viram se compensa?

 

Se isto acontece após a saída de António Chora, será que esta má gestão do processo é responsabilidade dos sindicatos, pois dantes não acontecia? Será que é da administração que não sabe lidar com os trabalhadores, especialmente num contexto de maior produção e de mais empregos gerados na empresa? Será de ambos?

 

O chegar a acordo depende de todos, mas não se esqueçam de que há garrafas de champanhe nos frigoríficos de várias fábricas da Volkswagen no mundo à espera de se abrirem se roubarem parte ou toda a produção da Autoeuropa. Infelizmente algumas estarão mais próximas de se abrir se os portugueses não souberem negociar. Isto não quer dizer que os trabalhadores se devam sujeitar a condições de trabalho indignas, mas convém ter em conta, ao negociarem, que o subsídio de desemprego não deverá ser uma boa opção.

 

Há 11 anos, Portugal perdeu a fábrica da Opel de Azambuja. Todos ficaram no desemprego e a Opel continuou a sua vida. Infelizmente não conheço nenhuma análise clara e imparcial sobre o que levou a que isso acontecesse. Foi pena, pois isso poderia ajudar a evitar que a situação se repetisse. Fica o conselho…

 

Gestor e docente convidado do ISCTE-IUL

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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