Celso  Filipe
Celso Filipe 27 de junho de 2017 às 09:45

A banca italiana e os dois pesos do BCE

O Governo italiano, com o aval do Banco Central Europeu (BCE), anunciou no domingo um pacote financeiro de ajuda à banca de 17 mil milhões de euros.


Numa primeira fase, adiantou o ministro da Economia daquele país, Pier Carlo Padoan, apenas serão usados pouco mais de cinco mil milhões para salvar dois bancos, a Banca Popolare di Vicenza e o Veneto Banca, que serão comprados por um euro pelo Intesa Sanpaolo.


Uma medida que está longe de ser pacífica. "A decisão de poupar dois bancos italianos das novas regras levanta questões sobre a efectividade da união bancária", escreve Simon Nixon, no Wall Street Journal.

O El Español, jornal digital do país vizinho, na coluna de opinião "O rugido do leão", diz que esta ajuda de Estado transmite uma "sensação de anarquia" e se traduz "numa "perda de autoridade da moral das instituições europeias" que em 2015 aprovaram regras que colocavam um ponto final nos resgates à banca com dinheiro público. Até porque em Espanha houve o caso recente da compra do Popular pelo Santander, ao preço simbólico de um euro, sem qualquer apoio do Estado.

A indignação em Espanha, por este tratamento diferenciado, reflecte-se também na análise que Iñigo de Barrón faz no El País. "As flamejantes novas normas europeias transformam-se em água precisamente no país de Mario Draghi, presidente do BCE. A lição a tirar é que os Estados ricos, se quiserem, podem pagar os seus resgates bancários. Agora vai ser mais difícil convencer os alemães a apoiarem a criação de um fundo comum de resolução dos bancos". "Ninguém quer uma nova crise política na Europa, mas em que pé esta decisão deixa a união bancária?", questiona Simon Nixon.

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comentários mais recentes
Silva Há 4 semanas

Com o fim de um voto por pais, só os três mais ricos fazem a maioria ( ou quase) nas votações. Por isso Franca e Itália fazem o que querem. Além disso, nesses países os partidos contra esta evolução da EU sao os únicos que crescem. Ver eleições recentes italianas e lembrar os últimos 32% de macron.

Anónimo Há 4 semanas

O problema subjacente à crise de equidade e sustentabilidade é o facto de se andar a dar dinheiro a mais a muita gente que não só não cria valor algum, como por acréscimo não fazem diligentemente outra coisa para além de extrair valor do Estado, da economia e da sociedade. Podem mudar as regras e conceder as ajudas todas que quiserem junto à banca de retalho, mas enquanto não entenderem isto a crise persistirá e terá sempre tendência a se agravar.