Armando Esteves Pereira
Armando Esteves Pereira 21 de dezembro de 2017 às 20:44

A carta que arrisca não chegar a Garcia  

Há estações dos correios que vão fechar em pequenas vilas do interior, destruindo ainda mais o frágil tecido económico e social dessas localidades. É fundamental que o serviço público postal seja garantido e  a correspondência chegue a tempo e horas às localidades mais remotas do País.

O plano de redução de custos dos Correios é mais uma machadada no interior do País. Obviamente que as estações encerradas serão maioritariamente nas áreas cada  vez mais pobres e despovoadas, onde  há menos negócios. E os carteiros dispensados também serão destas regiões, alguns dos quais protagonistas de um estimável serviço de público de apoio social a populações isoladas.

 

A empresa CTT foi privatizada, mas há um serviço público postal que é obrigatório cumprir e cabe ao Estado fazer com que os cidadãos dos territórios mais periféricos não sejam prejudicados.

 

Não é que o Estado tenha um bom registo em defesa destas populações. Antes pelo contrário, tem sido o maior factor de despovoamento. Quando encerra serviços públicos básicos, desde unidades de saúde, às escolas, está a dar um sinal às famílias mais novas que aquelas localidades não têm grande futuro.

 

Aliás, nota-se em alguma elite de Lisboa enfado com os custos e os problemas do interior. Provavelmente até preferiam que o Minho, Trás-os-Montes, as Beiras, o Alentejo e até o Algarve a norte da estrada 125, nem pertencessem a este Estado.

 

As duas grandes tragédias deste ano, os mortos em Junho em Pedrógão e os de 15 de Outubro nas Beiras, reflectem o abandono a que as populações e o território do interior está votado por parte do poder político em Portugal.

 

Num país tão pequeno, condenar o interior ao abandono é um crime sem perdão. Um desperdício de riqueza potencial e de território.

 

É utópico salvar todas as aldeias, assim como foi um erro a multiplicação de infra-estruturas em todas as sedes de municípios, desbaratando fundos comunitários. Agora quase todos os municípios do interior têm pavilhões de exposições, palácios de vaidade com pouco uso e menor proveito. As câmaras municipais mais preocupadas em segurar os votos nas eleições do que em garantir a sustentabilidade económica dos concelhos também têm muitas culpas no cartório. Gastaram demasiado dinheiro em obras inúteis, sem se preocupar  verdadeiramente com a geração sustentável de riqueza.

 

Mas voltando aos Correios, a nacionalização é o pior dos caminhos.

 

Contudo há obrigações de serviço que a empresa tem de cumprir e cabe ao Estado exigir. É inconcebível que haja algum concelho sem estação dos CTT. E as cartas têm de continuar a chegar a Garcia, quer seja Vila Garcia, aldeia de Trancoso, ou Penha Garcia, e a todas as localidades  isoladas, a tempo e horas.

 

Saldo Positivo: subida do salário mínimo 

Regatear um valor de salário mínimo abaixo dos 580 euros é socialmente indigno, por isso a subida desta remuneração, que é cada vez mais referência no mercado laboral, é um sinal de justiça social. O trabalho merece ser respeitado e o salário deve ser uma retribuição aceitável. Porém, num país com problemas de produtividade, esta subida cria desafios a muitas empresas, que terão de encontrar maneiras de melhorar a eficiência para compensar agravamento de custos.

 

Saldo Negativo: Santa Casa no Montepio 

O Montepio é uma instituição estimável e agora é dos poucos bancos que permanecem com o poder de decisão em Portugal. A entrada da Santa Casa no Montepio até pode ser a solução para manter o banco sólido, mas a operação tem de ser feita de forma clara, com o preço justo, porque o dinheiro da instituição que ganha milhões no jogo não pode correr o risco de ser perdido numa operação política para resolver os problemas do banco e da associação mutualista.

 

Algo completamente diferente: a lição e o trabalho do treinador do FCPorto

 

O FC Porto passa o Natal na liderança da Liga portuguesa. Os dragões têm sido a melhor equipa nacional e são os únicos sobreviventes lusos na Liga dos Campeões. Sérgio Conceição é o grande artífice deste sucesso. E depois de tantos milhões desperdiçados nas quatro épocas anteriores, esta equipa feita com aperto financeiro, sem contratações de vulto, é uma lição de como aproveitar melhor os recursos disponíveis. Sérgio recuperou jogadores que antes tinham sido dispensados, como a fabulosa dupla atacante: Aboubakar e Marega.

 

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comentários mais recentes
Ventura Santos 22.12.2017

Totalmente de acordo. So queria acrescentar que no litoral tambem temos direito a um servico de qualidade dos CTT, e o que temos agora eh uma porcaria, mais de uma hora para levantar uma encomenda ou fazer um registo.

Helder 22.12.2017

Os CTT devem ser do Estado ou privados? As aldeias que vão ficar sem Correios não votaram maioritariamente no PSD e no CDS? Então do que se queixam?

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