António Moita
António Moita 08 de outubro de 2017 às 17:45

A casa que Passos entrega

Morais Sarmento veio pedir contas a Passos Coelho pelo estado da "casa que entrega". É mais uma originalidade do baronato laranja que no passado nunca se preocupou com isso.

Não o fez com Cavaco, nem com Nogueira, nem com Marcelo, nem com Durão, nem com Santana, nem com Ferreira Leite.  

 

O PPD/PSD foi sempre um partido de poder. Nasceu com uma matriz social democrata, muito conveniente em período revolucionário, mas cedo albergou quase todo o espaço não socialista em Portugal. A estrutura organizada das antigas União Nacional e ANP, os adeptos da Ala Liberal do marcelismo, aqueles que não se reviam na esquerda revolucionária, viram no PPD de então, ainda que não exatamente na sua Declaração de Princípios, um porto de abrigo.

 

O foco na conquista e exercício do poder fez do partido uma confederação de interesses que periodicamente se envolviam em violentas lutas internas que lhe davam uma enorme animação e vitalidade. O conflito sempre esteve no seu ADN, mas o "toque a reunir" em momentos de crise também. Foi o partido mais português de todos no sentido de que em si estavam muitos dos interesses da sociedade portuguesa.

 

Cavaco Silva alterou tudo isto. Garantiu a distribuição salomónica de benesses durante muitos anos e foi-se progressivamente distanciando dos múltiplos poderes internos. As fações passaram a submeter-se a uma liderança autoritária e quem não o fizesse seria inapelavelmente afastado. O partido perdeu autenticidade e a estrutura foi conquistada pelos que melhores provas de fidelidade davam ao líder e garantiam a perpetuação das lideranças intermédias e nacionais.

 

Assim, se alguém dentro do PSD deve prestar contas é Cavaco Silva. Foi nele que tudo começou e foi com ele, omnipresente, que quase tudo chegou até aqui. O desplante e a falta de consideração por todos quantos em tempos o veneraram e lhe deram anos de poder é tal que até anunciou que desta vez não votou porque estava num casamento. Mais palavras para quê.

 

Jurista

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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comentários mais recentes
Anónimo Há 1 semana

Foram os abonos de Cavaco que agravaram e muito a nossa dívida... as reformas douradas com os melhores 5 anos de descontos... as PPs para os amigos... o fim da agricultura com os subsídios para destruir pescas e lavoura... e claro o buraco gigante de Lisboa à Madeira e a Cabo Verde do BPN e BANIF...

Mr.Tuga Há 1 semana

Esse Morais SARNAmento é um ignobil, sebento, mesquinho e inutil vingativo que deveria ter vergonha na cara....

PATÉTICO!

Toy Boy Há 1 semana

Parece um barraco