Fernando  Sobral
Fernando Sobral 06 de outubro de 2017 às 09:33

A Catalunha depois do discurso do Rei Felipe

Depois da tensão acumulada, todos esperavam o discurso do rei Felipe de Espanha. E ele foi de crítica sistemática aos dirigentes da Catalunha em nome da lei e do Estado espanhol.

Sem contemplações. No "El Mundo", Lucía Mendez opina: "Felipe VI vestiu-se de chefe de Estado e confirmou com o seu grave semblante que estamos perante a mais descomunal crise de Estado das últimas décadas. A roupagem de Chefe de estado não é a mesma da de Rei. Como Rei, Felipe VI pode mostrar-se empático e carinhoso. Como chefe de Estado tem obrigação de encarnar a lei. (…) Pode dizer-se que o Felipe VI que apareceu às 21.00 nas televisões foi um Felipe VI desconhecido".

Na sociedade catalã também se escutam vozes a pedir calma. No "La Vanguardia", Enric Juliana Ricart escreve: "Felipe VI deu um forte murro na mesa, ante o assombro de muitos catalães que esperavam empatia face aos sentimentos maioritários de protesto e indignação pelos acontecimentos do passado domingo. A Catalunha parou para escutar. Nenhuma menção explícita ao diálogo, essa palavra tão invocada nestes dias à moda de airbag, por entidades tão distintas como a Comissão Europeia ou a Conferência Episcopal Espanhola. Nenhuma palavra em catalão. O Rei responsabiliza exclusivamente os governantes da Generalitat pela situação criada, a quem acusa de 'deslealdade'. Um discurso severo. O Estado vai defender a unidade do Estado. (…) Os títulos da imprensa estrangeira não são um cheque em branco". Ainda no catalão "La Vanguardia", Marius Carol, o director, argumenta: "A sociedade catalã está dividida, mas não quebrada. Tarde ou cedo teremos de recoser as costuras. Deveríamos fazer um último esforço para salvar a convivência, pensemos como pensemos. Quem opina diferente não é um traidor, muito menos um inimigo. A tolerância é como a ginástica: há que praticá-la todos os dias para não perder a forma".


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