Fernando  Sobral
Fernando Sobral 25 de janeiro de 2017 às 19:50

A CGD na La La Land 

É um bonito dia de sol que nos acolhe no início do filme "La La Land". Estamos em Los Angeles e o trânsito está engarrafado numa auto-estrada e nada se move. Vamos seguindo então a música diferente que sai de cada carro parado.

É uma sinfonia pouco sincronizada, porque cada um escuta uma coisa diferente. Quando paramos, a música fica mais alta. Então a personagem sai do carro e começa a dançar. Rapidamente todos os outros condutores saltam para as capotas dos carros e dançam sem parar. Todos dançam como se fossem Gene Kelly em "Singing in the Rain". Os musicais são assim. Serão sempre. A Caixa Geral de Depósitos é uma La La Land à nossa dimensão: um musical frenético onde às vezes o que parece menos interessar é o interesse público. E a transparência de métodos. Ninguém é inocente: sabe-se que a CGD sempre foi um braço armado do Estado (e achamos que deve continuar a sê-lo) e isso foi ainda mais evidente desde a reforma de 1929, que funcionou como instrumento dócil das políticas de Oliveira Salazar.

 

O problema é que, mesmo em democracia, se confundiu o poder estatal na CGD, tornando-a um pátio recreativo e partidário de quem ocupava o poder político do país. Esta partidarização da CGD foi visível em administrações sucessivas, onde no meio de excelentes gestores, existiam prateleiras de luxo para quem saía da órbita governamental. A CGD pareceu, em certos momentos, um musical de Bollywood. E não de Hollywood. As declarações de Faria de Oliveira e de Carlos Santos Ferreira na comissão parlamentar de inquérito à CGD não responderam aquilo que parece ser um segredo de Polichinelo: quem é que foram os beneficiários dos maiores créditos concedidos pela instituição? A CGD continua a fazer caixinha com esse segredo que permitirá saber, por exemplo, os contornos das célebres compras de acções do BCP. Quem fica fora do segredo é quem vai contribuir para o aumento de capital do banco: os cidadãos contribuintes. Ou seja, na CGD continua a dançar-se. Como se tudo fosse uma La La Land privada.

 

Grande repórter

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comentários mais recentes
Jose 26.01.2017

Mas, o Sr. Sobral nem questiona a barbaridade do aumento de 5.000 milhões de euros. Diz que é um Grande Repórter. Afinal, não passa de um escriba por conta da geringonça. Tal como as meninas que atacam à beira da estrada.

Mr.Tuga 26.01.2017

Certissimo!

CGDPB: Caixa Geral Deposito Para BOYS!