Tiago Freire
Tiago Freire 31 de outubro de 2017 às 09:32

A conspiração russa a bater à porta da Trump Tower

É a última bomba política nos EUA, a detenção de Paul Manafort, antigo presidente de campanha da candidatura de Donald Trump, às mãos de Robert Mueller, líder das investigações federais à intervenção russa nas eleições norte-americanas.

Para já, a reacção da Casa Branca vai em dois sentidos: primeiro, as eventuais irregularidades são de índole individual e não da campanha; segundo, algumas das pessoas investigadas tinham um papel irrelevante na estrutura da candidatura.

No New York Times, David Leonhardt dá o passo lógico seguinte. "Agora que as acusações contra Manafort e o seu protegido, Rick Gates, se tornaram públicas, algum do foco vai centrar-se rapidamente na resposta de Trump", afirma, acrescentando que "quando isso acontecer, é importante ter em conta o quão fraco ele já está enquanto presidente". Apoio público em queda e dissidências entre os republicanos são o pano de fundo em que este caso se tornou público.

Julian Zelizer, na CNN, compara este caso a outras detenções de pessoas próximas ao Presidente. Nos anos 70, no Watergate, as detenções foram um prenúncio da queda do Presidente; já nos anos 80, no escândalo Irão-Contras, Reagan e o seu vice-presidente, George H.W. Bush, sobreviveram e recuperaram. "A forma como os diferentes responsáveis políticos vão reagir a estas acusações será mais importante que as próprias acusações", afirma, lembrando que será fundamental perceber se republicanos e democratas irão respeitar a independência das investigações. "Isto vai ser Watergate ou Irão-Contras?", deixa a pergunta.

Na página online da Breitbart, bastião da direita mais próxima de Trump, o discurso é, naturalmente, outro. Joel Pollak não tem dúvidas: "Os primeiros esforços de Mueller para encontrar provas de uma conspiração com a rússia, para já, não deram em nada."

Linhas cruzadas, formas diferentes de ver a mesma questão.


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