Luís Todo Bom
Luís Todo Bom 31 de agosto de 2014 às 20:07

A cooperação empresarial ibérica

Nos últimos anos, por força da recessão económica dos dois países, as empresas portuguesas e espanholas intensificaram os seus esforços de internacionalização para os mercados de África e da América Latina.

 

Por razões históricas e culturais, as empresas portuguesas têm um acesso mais fácil aos países africanos que falam português e ao Brasil, enquanto que as empresas espanholas têm um acesso preferencial aos países da América Central e do Sul que falam espanhol.

 

Pareceria pois, natural, que as empresas portuguesas e espanholas estabelecessem alianças e parcerias estratégicas empresariais para uma intervenção mais eficiente e robusta nesses mercados, partilhando recursos, financeiros e do conhecimento, de modo a obterem resultados mais significativos.

 

A realidade é, no entanto, exactamente a oposta. As acções de cooperação empresarial ibérica constituem uma excepção no panorama de internacionalização das empresas dos dois países.

 

Entretanto, assistimos a erros básicos na aproximação a estes diferentes mercados por parte das empresas dos dois países, por razões de ausência de pertença a redes empresariais, de desconhecimento das culturas empresariais dos países de destino e da desconfiança dos grupos empresariais endógenos.

 

De facto, este processo de cooperação empresarial, para ser eficiente tem de ser estruturado em torno das seguintes variáveis:

 

• Análise estruturada dos programas de desenvolvimento de infraestruturas e de unidades empresariais, integradas nas políticas de desenvolvimento económico de cada país.

 

• Identificação e caracterização, em termos sectoriais, de localização interna e de dimensão, dos projectos específicos a desenvolver em cada país.

 

• Desenho do tipo de parceria a adoptar, identificação e mobilização dos recursos necessários,  selecção dos parceiros e do líder da aliança.

 

• Utilização das Instituições de Apoio à Internacionalização dos dois países, optimizando a actuação de cada uma em função do mercado a privilegiar.

 

• Elaboração dum "business plan" detalhado para cada projecto, utilizando as ferramentas teóricas adequadas para a preparação e avaliação de projectos internacionais.

 

Não posso, assim, deixar de aplaudir a iniciativa do Embaixador de Espanha em Portugal, de patrocinar, com o apoio da AICEP, reuniões de empresários portugueses com os seus congéneres espanhóis, em Madrid e Barcelona, para o fomento de parcerias empresariais.

 

As empresas portuguesas têm imenso a ganhar com este processo: Aumentando a sua dimensão de intervenção nos mercados que falam português - Brasil, Angola, Moçambique, .. e reduzindo os riscos de entrada nos países de língua espanhola - Venezuela, Colômbia, Chile,…

 

Dum modo simétrico, as empresas espanholas também melhoram a sua capacidade de entrada nos mercados que falam português, e podem incrementar a dimensão da sua presença nos mercados de língua espanhola.

 

Finalmente, os grupos empresariais destes países emergentes, que falam português ou espanhol, podem vir a integrar unidades empresariais de dimensão global, melhorando a sua capacidade de afirmação em novos mercados.

 

Aguardemos, pois, com uma expectativa optimista, os resultados desta iniciativa.

 

Professor Associado Convidado da ISCTE Business School

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comentários mais recentes
joao Há 2 semanas

notasse bem que nao sabe do que fala nitidamente...

Anónimo Há 2 semanas

outro socialista que acha que sabe mais que as empresas e os seus donos. As empresas não cooperam por decreto, elas concorrem e transaccionam serviços entre si, e é isso que o mundo precisa, não de gente que pensa com o dinheiro dos outros