Jorge Fonseca de Almeida
Jorge Fonseca de Almeida 20 de junho de 2017 às 20:53

A cor do seu produto

A embalagem tem uma importância essencial em todos os produtos, mesmo nos que aparentemente têm uma natureza imaterial como a generalidade dos serviços.

Naturalmente um dos aspetos essenciais da embalagem, a par com o tamanho, o formato e a mensagem nela inscrita, é a cor.

 

Num estudo recente, os consumidores referiam a cor como tendo de ser coerente com o produto e com a personalidade da marca. Incoerências a este nível levam à rejeição dos bens e a menores vendas.

 

A cor ajuda a marcar a diferença com os competidores e rivais. O Benfica equipa de encarnado, o Sporting de verde, o Porto de azul, a Académica veste de preto, outros têm dificuldade em diferenciar-se por este meio. O Belenenses também veste azul, mas quando pensamos num clube português azul não é no Belenenses que pensamos. O clube lisboeta não conseguiu apropriar-se da cor que ficou colada aos portistas.

 

A cor de um produto deve refletir a associação que os seus clientes fazem entre produto, personalidade e cor.

 

O contexto é importante. O verde, por exemplo, em certos contextos é associado à natureza, à ecologia, aos produtos amigos do ambiente. Noutros contextos pode estar ligado a ideias como segurança, inteligência ou mesmo ao sucesso e à vitória.

 

As cores podem também ser associadas a texturas. Certos tons de castanho evocam superfícies ásperas ou rugosas que transmitem, muitas vezes, um carácter forte, masculino, livre e de comunhão com a natureza. Já uma cor suave e macia convoca outro género de associações.

 

Homens e mulheres têm cores preferidas diferentes, com o azul a revelar-se a cor mais consensual, sendo uma das mais preferidas de ambos os sexos. Já o roxo é das cores mais divergentes, sendo muito mais do agrado das mulheres do que dos homens.

 

Certo é que antes de associar uma cor a uma marca ou a um produto, é prudente fazer um estudo de mercado no sentido de apurar se a cor reforça ou não as características e a personalidade do produto junto do público-alvo.

 

Particular atenção deve ser dada à diversa interpretação das cores pelas diversas culturas. Por exemplo, em algumas regiões africanas, o vermelho está associado à morte e à violência. Na Tailândia, a cor de luto é o roxo. Na Alemanha, o amarelo simboliza muitas vezes a inveja. Neste campo, para as empresas multinacionais ou exportadoras todo o cuidado é pouco.

 

Certo também é que mudanças frequentes de cores em marcas e produtos alienam os consumidores quebrando o laço afetivo que tinham desenvolvido anteriormente.

 

Fica então a pergunta: o seu produto tem a cor certa? Lembre-se de que por ter uma cor errada pode estar a perder valores significativos em vendas.

 

Economista

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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