Fernando  Sobral
Fernando Sobral 06 de setembro de 2017 às 09:32

A coreana de cor-de-rosa, a ONU e Vladimir Putin

Há quem escreva: o apocalipse será transmitido em directo pela televisão e será apresentado por uma senhora norte-coreana vestida de cor-de-rosa, como a que dá as notícias no país de Kim Jong-un. Quem é ela?

Ri Chun-hee é a mais conhecida face da televisão central da Coreia do Norte, aparecendo sempre que há um anúncio de mais um ensaio de mísseis. A sua forma de dar as notícias é uma versão de uma proclamação feita com prazer. Ri, de 74 anos, é conhecida como a "voz do povo". O resto, claro, é saber o que irá acontecer. Jonathan Steele, no "Guardian", escreve: "Quem poderia liderar o regresso das conversações? Nas últimas décadas do último milénio esse era um trabalho para o secretário-geral das Nações Unidas. Mas temos estado acostumados a que os ocupantes desse cargo sejam passíveis até ao ponto da invisibilidade, com o seu cargo deliberadamente ofuscado pelo unilateralismo pós-Guerra Fria dos EUA. Seria bom ver António Guterres ser convidado pelo Conselho de Segurança para viajar para o Sudeste asiático, em busca de um terreno comum e possíveis compromissos."

No "Independent", Mary Dejevsky argumenta: "Tudo depende do que a Coreia do Norte efectivamente deseja. Aspira ao nuclear porque o deseja ou porque o vê como uma garantia de segurança? Quer mostrar o seu poder na região ou Kim está apenas a gritar - principalmente para os EUA - a pedir ajuda? A questão é saber se a ONU ou os mediadores suíços, ou mesmo Donald Trump, saberão ajudar a Coreia do Norte a sair deste círculo, sem caírem acidentalmente numa guerra". Saberão? Vladimir tem dúvidas. Na reunião dos BRICS em Xiamen disse apenas: "É impossível dialogar com gente (os americanos) que confundem a Áustria com a Austrália". Não poderia ser mais claro sobre o que é hoje o poder norte-americano.


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comentários mais recentes
Aída Paiva Há 1 semana

O artigo traz uma mídia nova, um novo jeito de fazer mídia. O artigo acima é o primeiro texto inteligente que eu leio desde que comecei a participar de redes sociais.

fcj Há 2 semanas

O mundo nunca mais será o mesmo. Muito pelo contrário! Desde a última grande guerra que não se assistia a tamanho braço de ferro. A crise dos misseis em 1962, não passou de um negócio, em que EEUU retiraram os mísseis na Turquia - virados para a Rússia - e a Rússia "desistiu" dos mísseis em Cuba...

Anónimo Há 2 semanas

Bom artigo

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