Fernando  Sobral
Fernando Sobral 24 de julho de 2017 às 10:26

A crise brasileira e a América Latina

Entre a condenação de Lula e a crise na Venezuela, as tensões na parte sul do continente americano vão crescendo. E isso tem importância para Portugal, devido aos investimentos ali feitos e ao número de emigrantes nacionais que ali residem.

Marcelo Cantelmi, no argentino Clarin, analisa a questão: "A sentença judicial de Lula é um acontecimento de enorme magnitude política. Não apenas no Brasil. As comparações costumam ser pouco convenientes, mas o efeito que essa novidade produzirá como precedente é inquestionável. Especialmente, numa região onde os escândalos de corrupção se multiplicam e o senso comum até agora vem sendo ditado pela impunidade, como acontece na Argentina e também na Venezuela. (...) A sentença de Lula mostra para essas tribunas que existe o dia depois. E que esse dia pode chegar. (...) O problema de Lula, e especialmente de Dilma, não era ideológico, mas de eficiência. Os dois mandatos do líder do PT gozaram do vento forte a favor do empurrão chinês. Lula utilizou o crédito público à vontade para manter o efeito consumo quando esse empurrão começou a diminuir."

Já Luiz Ruffato, no El País/Brasil, refere: "Lula de forma arrogante finge não ter qualquer responsabilidade pela institucionalização da corrupção havida em seu governo - mas nem uma coisa nem outra justificam os ataques ao partido, sob pena de atropelarmos o Estado de Direito. (...) O Presidente não eleito, Michel Temer, que conspirou abertamente para derrubar Dilma Rousseff, permanece firme, apesar dos indícios de corrupção existentes contra ele. Temer assumiu o cargo, com apoio do PSDB de Fernando Henrique Cardoso, com a clara missão de desmontar, uma a uma, as poucas conquistas sociais ocorridas ao longo do governo Lula." E Eliane Cantanhêde, no Estado de S. Paulo, afirma: "Enquanto aumenta os impostos da maioria, o governo abre os cofres para agradar os deputados que vão decidir, em dois de Agosto, o destino de Temer. (...) Temos, portanto, que Temer ficou espremido entre duas realidades: de um lado, as contas não fecham e, de outro, a base aliada está cada vez mais voraz."


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