Fernando  Sobral
Fernando Sobral 13 de dezembro de 2016 às 18:58

A dança da chuva na CGD

A guerrilha política à volta da CGD começa a ser uma fastidiosa dança da chuva. Os povos antigos usavam-na para pedir chuva aos deuses. As suas colheitas dependiam disso.

A dança da chuva costumava ter sucesso porque os povos só paravam de dançar quando caía a água milagrosa do céu. A chegada da chuva reforçava a crença. Quando surgiam dilúvios, que destruíam as colheitas, também havia uma explicação: os povos tinham dançado demasiado e acumulado tantos pedidos de chuva que os deuses os tinham enviado de uma só vez. 


Aquilo que Pedro Passos Coelho está a pedir, em ritmo de dança à volta da CGD, já não é que a chuva molhe o Governo: arriscamo-nos a que venha aí uma inundação que torne o banco estatal inabitável. É um desejo como qualquer outro. Mas esta crença política, de que pedindo chuva e trovoada sobre a CGD, Passos se manterá como líder do PSD é claramente um exagero que nunca será cumprido. Ou seja, todo este ruído apenas contribui para o desgaste de uma instituição que é central no sistema financeiro e económico português.

 

Sabe-se que, neste caso, se chover demasiado há muita gente a molhar-se. Ao longo dos anos, a CGD serviu de lar de repouso para políticos que precisavam de dar novo rumo às suas carreiras. No tempo de José Sócrates e Armando Vara foi a caixa do Tio Patinhas para uma série de acções muito políticas e pouco empresariais que custaram muito caro. Com Passos, parece que os problemas foram atirados para debaixo da cama (tal como no Banif e no BES) à espera que um dia alguém tivesse de os tratar a sério. E antes destes estiveram outros que fizeram feitiços à sua medida, sempre em desfavor do prestígio e centralidade da CGD.

Agora é preciso paz, para a nova administração e para a urgente recapitalização. A escolha de António Domingues foi um desastre. Não é preciso continuar a dançar freneticamente a pedir chuva ácida que acompanha tanta poluição política. Paulo Macedo merece paz e moderação. A CGD também. E Portugal a mesma coisa.

 

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