Rui Barroso
Rui Barroso 16 de março de 2017 às 21:25

A diferença entre grandes dividendos e bons dividendos

Na corrida aos dividendos os especialistas aconselham a separar os grandes dividendos dos bons dividendos. A Schroders, por exemplo, realçou a importância de se aferir a "cobertura do dividendo".

Em teoria, um dividendo sustentável e seguro é o de empresas em que o lucro anual seja suficiente para manter durante pelo menos dois anos a remuneração aos accionistas. Mesmo que o retorno face ao valor das acções seja inferior ao de outras empresas, há mais garantias que a empresa consiga manter a remuneração. Caso o grau de cobertura seja menor que dois, as empresas ficam sem grande margem de manobra para manter o dividendo se os lucros caírem.

 

Já para dividendos superiores ao lucro, a Schroders alerta que as "campainhas de alarme devem soar". Em Portugal, os CTT, a Sonae Capital e a Nos propõem pagar mais aos accionistas que o lucro obtido. Há duas formas de interpretar esse factor: ou as administrações estão muito confiantes que no futuro os lucros vão subir ou tentam agradar a accionistas dependentes desse dividendo, à custa de uma deterioração da situação financeira da empresa. Cada caso é um caso. O importante para os investidores de longo prazo é evitar que o grande dividendo de hoje se torne num mau dividendo no futuro.

 

Jornalista

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comentários mais recentes
nin Há 1 semana

E que dizer da EDP? Distribui 80% dos lucros em dividendos e depois endivida-se para investir. Não faz sentido.

Manuel Azevedo Há 1 semana

Com a antiga PT, foi assim mesmo que aconteceu...

Gigaman Há 1 semana

Esta "fobia" de entregar dividendos aos accionistas está a destruir as empresas. Podem dar dividendos maravilhosos durante 2 ou 3 anos, mas estão a hipotecar o futuro das empresas. É bom que os "accionistas" se consciencializem que podem receber bons dividendos no curto prazo mas que a médio prazo não os continuarão a receber e as acções que detêm daquela empresa não valerão nada pois esta estará falida... mas enfim, é a nova lógica empresarial que se aprende nos MBA de "meia tijela" dados por "Profs. Drs." que têm que justificar o ordenado que lhes pagam mas que nunca trabalharam na vida, que não descansa enquanto não destruir tudo... Muito brevemente voltaremos à agricultura de subsistência e ao sistema de troca directa pois, com a ganância de dinheiro rápido para para entregar aos "accionistas", os gestores estão a acabar com as empresas. Não se vê projectos a médio prazo (longo prazo então esquecer) e tudo é feito numa lógica de cortes...