Rui Barroso
Rui Barroso 10 de agosto de 2017 às 21:00

A difícil arte de domar os mercados financeiros

Domar o mercado pode não ser tão fácil quanto parece. Como a história tem mostrado, de um momento para o outro e por vezes sem razão aparente, o mercado pode passar de domesticado a selvagem.

Dizia o estratego militar Sun Tzu que a suprema arte da guerra é derrotar o inimigo sem lutar. E na relação de amor-ódio que Portugal tem tido com os mercados, a estratégia actual, explicada por Mário Centeno numa entrevista ao El País, é que os mercados não devem ser combatidos. O que é preciso é domá-los. Depois de anos entrincheirado, Portugal conseguiu reconquistar terreno. Saiu de forma limpa do resgate. E nos últimos meses tem dissipado as dúvidas dos investidores. Para isso, teve de mostrar crescimento acima do previsto, reduzir o défice e colocar alguma ordem no sector bancário. Mas domar o mercado pode não ser tão fácil quanto parece. Como a história tem mostrado, de um momento para o outro e por vezes sem razão aparente, o mercado pode passar de domesticado a selvagem. Quando isso acontece têm sido os bancos centrais a puxar pela artilharia pesada para o manter domado. E depois dos triliões injectados nos último anos para o anestesiar, a dose vai começar a ser retirada. Um processo delicado e de consequências imprevisíveis. Quanto a Portugal, Sun Tzu teria conselhos para preparar essa fase: concentrar-se nos pontos fortes, reconhecer as fraquezas, agarrar as oportunidades e, sobretudo, proteger-se contra as ameaças.

 

Jornalista

 

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