Camilo Lourenço
Camilo Lourenço 28 de dezembro de 2017 às 21:30

A difícil tarefa de PSD e CDS 

Pedrógão não alterou significativamente a popularidade de António Costa.

Os incêndios de 15 de outubro, embora tenham feito mossa, também não: o primeiro-ministro, mesmo tendo sofrido a sua primeira grande humilhação desde que chegou ao poder (levou uma lição de humildade do Presidente e foi obrigado a pedir desculpa), recuperou rapidamente.

 

No entanto, quem tiver estado atento ao discurso da oposição percebeu que contava com aqueles deslizes para entalar o primeiro-ministro. Foi um erro de cálculo (Costa deu a volta por cima). E agora que o Governo está novamente em maus lençóis, por causa do financiamento dos partidos, a oposição pode estar a cair no mesmo erro.

 

Se for o caso, é pena. É verdade que no caso do financiamento partidário, embora o problema atinja PS, PCP, Bloco e PSD, o Governo vai sair mais chamuscado. Entre outras razões por pedir ao grupo parlamentar que suscite a fiscalização preventiva da constitucionalidade do diploma (coisa que Costa já disse que não fará). Mas mesmo que o Constitucional chumbe a lei, daí não advirão grandes consequências para o primeiro-ministro. Porque as razões da popularidade do Governo são outras (e Costa sabe disso): é o bom andamento da economia ("It's the economy, stupid").

 

É aí que se joga tudo. E nesta frente António Costa continua com o vento a favor: a economia europeia continua a crescer, puxando dessa forma a economia portuguesa, o desemprego continua a cair, os juros mantêm-se baixos (com a preciosa ajuda do BCE) e as agências (percebendo que o Governo não se afasta do que é imposto por Bruxelas em matéria orçamental) começam a melhorar o "rating" da República.

 

É por isso que a tarefa que PSD e CDS têm pela frente é ingrata (a tal ponto que já custou a liderança a Passos Coelho): enquanto a economia estiver a "bombar", as hipóteses de chegarem ao poder são diminutas. É claro que pode haver uma reviravolta: um repentino agravamento da conjuntura externa, que mesmo assim levaria pelo menos um ano a estragar as contas nacionais; um escândalo grave que fraturasse a maioria e/ou impusesse uma dissolução da Assembleia da República... Mas isso é trabalhar com "ses". E "ses" não ganham eleições.

 

O que pode a oposição fazer então? Exatamente o oposto do que está a fazer. Isto é, precisa de encontrar um discurso novo, um outro líder que não Santana ou Rio (de preferência da nova geração) e um projeto que galvanize os que não se reveem na "geringonça". Se não perceber isso, estará a estender a uma passadeira vermelha a Costa e à esquerda.

 

Jornalista de Economia

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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