Armando Esteves Pereira
Armando Esteves Pereira 11 de maio de 2017 às 20:37

À espera de milagres 

Bruxelas está satisfeita com a evolução das contas públicas e Portugal caminha para a saída do processo do procedimento dos défices excessivos.

Os juros da dívida pública acalmam e só falta a melhoria do "rating" para uma queda mais notória do preço do dinheiro exigido pelos credores. Apesar da evolução lenta do PIB, o desemprego dá sinais de quebra. Na semana em que o Papa  vem a Portugal canonizar os pastorinhos, a evolução da economia até parece um milagre.

 

Mas estes sinais não passam de pura aparência. Enquanto o Banco Central Europeu mantiver a torneira dos milhões aberta e os juros quase de borla, beneficiando deste modo directamente mais de um milhão de famílias com o crédito à habitação, será possível continuar por algum tempo com este clima de suavização económica.

 

Mas a médio e longo prazo há obstáculos que nem novo milagre de Nossa  Senhora de Fátima pode remover.  Ao elevado endividamento e ao envelhecimento da população que corta velocidade ao potencial de crescimento do PIB junta-se o anémico investimento, quer público, quer privado. 

 

Se houvesse crescimento sustentável, muito acima do ritmo de caracol, a  questão da dívida ficaria resolvida. Quanto à demografia, só a integração de centenas de milhares de imigrantes qualificados resolveria o problema. E quanto ao investimento, estamos dependentes dos ventos do exterior, porque para controlar as contas públicas, ao mesmo tempo que engorda a máquina do Estado, qualquer que seja o governo tem de ter uma gestão criteriosa  do investimento público.

 

E para não haver sobressaltos, a economia portuguesa precisará de estabilidade na Europa. Por agora até há motivos para ter esperança: as eleições francesas deram um sinal positivo. Vamos ver se o padrão se repete nas legislativas alemãs de Setembro. Não é só Portugal que precisa de milagres, a Europa também.  

 

Director-adjunto do Correio da Manhã

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