Patrícia  Abreu
Patrícia Abreu 10 de outubro de 2017 às 20:25

A estranha forma de comercializar fundos 

Promover a maior literacia financeira dos portugueses é uma das prioridades das autoridades nacionais. Mas não é apenas em Portugal que os conhecimentos financeiros dos investidores são motivo de preocupação.

Em Espanha, o nível de literacia é também baixo.  Mas, segundo Francisco García Paramés, o chamado Warren Buffett espanhol, que participou no lançamento da Value School, um dos motivos para o défice de conhecimentos dos investidores espanhóis é a forma como são comercializados fundos no país. "O modelo espanhol de distribuição de produtos financeiros, que depende dos bancos, está na base de muitos dos erros que cometem [os investidores] ao investir", explica Paramés. O gestor e fundador da Cobas AM, citado pelo Cínco Días, defende mesmo que "a banca tem estratégias absurdas para vender fundos". Segundo o especialista, uma das formas de premiar os directores é o volume sob gestão e não a rentabilidade registada pelos produtos. Mesmo que um fundo tenha retornos inferiores ao índice, desde que continue a captar poupança, o desempenho pouca ou nenhuma relevância terá. Uma situação que urge mudar. Mas, para isso, é preciso ter investidores mais bem preparados.

 

Jornalista

A sua opinião6
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado Cá como lá, más fadas há… Há 1 semana

”Cá” não será tanto a questão referida, em que pelo menos tem havido algumas “boas intenções”. Será antes questão, por exemplo:
-Afigurar-se haver uma prioridade por parte de (alguns) bancos, de conseguirem um máximo de lucros com a venda de fundos, gastando o mínimo possível (chegando a rendibilidades da ordem dos 500 % para os capitais próprios regulamentares da atividade) e oferecendo aos clientes, cujos interesses a Lei manda privilegiar, um agregado de rendibilidades médias frequentemente não superior a 3%;
-Tratar a Gestão de Ativos como “atividade menor”, que interessa menos pela utilidade que oferece a quem a compra e mais pelos lucros que proporciona a quem a vende, e pelas oportunidades de criar “tachos” ( amiúde preenchidos por critérios alheios à competência, em atividade em que a mesma é essencial por razões de prudência e de obtenção de rendibilidades estimulantes da poupança).
Que a situação mude radicalmente com a nova legislação comunitária prestes a entrar em vigor.

comentários mais recentes
“ literacia financeira dos portugueses” Há 1 semana

Diz-se no artigo:
“Promover a maior literacia financeira dos portugueses é uma das prioridades das autoridades nacionais”
Será - mas a verdade é que pouco ou nada de concreto se tem visto.
A CMVM, com um orçamento de mais de 22 milhões de euros, com um quadro de pessoal de mais de 200 funcionários, com o escasso trabalho que deve dar uma micro Bolsa moribunda, fiscalizada (?) com aparente excesso de tolerância – leva a cabo de quando em vez uns eventos que dão ideia que se trata mais de fazer “prova de vida” perante a classe politica e de autopromover a imagem de quem a dirige, do que propriamente trabalhar a favor do Mercado de Capitais em Portugal.
Este poderia ser relevante instrumento para o desenvolvimento do País, via captação e alocação ótima da poupança. Mas para isso seria necessário uma CMVM que, mais do que fazer protocolos com o…Abu Dhabi e se fazer representar internacionalmente, revelasse um mínimo de dinamismo na tentativa de elevar o nível de literacia dos Portugueses.

Do mal...o menos ! Há 1 semana

Entre fazer como os Espanhóis, dar prémios aos gestores com base no volume de capitais captados (fruto do interesse dos investidores em resultado, também mas não só, das suas rendibilidades), ou fazer como por exemplo se faz em Portugal em gestora bem conhecida, de recompensar em teoria os gestores de fundos segundo um elaborado sistema baseado nas rendibilidade, mas na prática nada lhes dar alegando várias justificações - então apesar de tudo e da crítica do artigo , do mal o menos, o sistema espanhol é menos mau.
Não se olvide que a gestão não passiva de fundos de investimentos é uma atividade de alta competição, requerendo grande motivação. Como nos hedge funds muito bem se sabe (e até já aflorou na imprensa académica) a avareza nos prémios atribuídos aos gestores pode dar no imediato mais a ganhar aos acionistas das gestoras, mas não serve os seus interesses futuros por não servir os interesses objetivos (em termos de resultados) daqueles que são mais importantes: os clientes.

RE: "Fundos de investimento para os tansos" Há 1 semana

Com o devido respeito, discordo.
Os Fundos de Investimento(Fis) neutralizam a maior parte do risco específico dos títulos em que investem e quase só deixam o Risco de Mercado. Este determina flutuações mas, se não houver precipitação, se se der “tempo ao tempo ” -as tempestades passam, o sol brilha novamente e as cotações recuperam e voltam a subir. Sempre foi assim e quase de certeza sempre assim será.
Em contrapartida ao Risco de Mercado dos FIs que os Depósitos não têm, os FIs podem oferecer rendibilidades mais elevadas o que, para quem poupa a olhar para o futuro, é importante para fazer crescer o seu patrimônio.
Mas há que separar o trigo do joio nos FIs: há que ver se não ocultam riscos; se estão a oferecer rendibilidades/volatilidades ao nível dos seus concorrentes nacionais e internacionais; se as comissões que cobram não correspondem a vender gato por lebre; se os seus administradores são experientes,competentes e dedicados; se não há laxismo nas suas compliances, ect, ect...

Cá como lá, más fadas há… Há 1 semana

”Cá” não será tanto a questão referida, em que pelo menos tem havido algumas “boas intenções”. Será antes questão, por exemplo:
-Afigurar-se haver uma prioridade por parte de (alguns) bancos, de conseguirem um máximo de lucros com a venda de fundos, gastando o mínimo possível (chegando a rendibilidades da ordem dos 500 % para os capitais próprios regulamentares da atividade) e oferecendo aos clientes, cujos interesses a Lei manda privilegiar, um agregado de rendibilidades médias frequentemente não superior a 3%;
-Tratar a Gestão de Ativos como “atividade menor”, que interessa menos pela utilidade que oferece a quem a compra e mais pelos lucros que proporciona a quem a vende, e pelas oportunidades de criar “tachos” ( amiúde preenchidos por critérios alheios à competência, em atividade em que a mesma é essencial por razões de prudência e de obtenção de rendibilidades estimulantes da poupança).
Que a situação mude radicalmente com a nova legislação comunitária prestes a entrar em vigor.

ver mais comentários