Camilo Lourenço
Camilo Lourenço 20 de dezembro de 2011 às 23:30

A fantástica avaliação de Mário Nogueira

Mário Nogueira tem 31 anos de carreira. Onze deles passou-os a ensinar. O resto foi dedicado a esse extraordinário sindicato (ou será "think tank"?) da Educação que dá pelo nome de Fenprof.
Mário Nogueira tem 31 anos de carreira. Onze deles passou-os a ensinar. O resto foi dedicado a esse extraordinário sindicato (ou será "think tank"?) da Educação que dá pelo nome de Fenprof. Mário Nogueira, efectivo na escola da Pedrulha desde 2006, mediante o regime de "ponderação curricular" (aplicável a docentes destacados em sindicatos e outros organismos e que não leccionam), foi avaliado. Com "Bom". Ao "Correio da Manhã", Nogueira explicou assim o processo: "Fui avaliado com base num relatório de toda a actividade desempenhada na Fenprof, acções de formação que realizei, conferências e congressos em que participei, artigos que escrevi na comunicação social, tudo". Tudo menos ensinar. Afinal é para isso que os professores servem, não é?

O processo é irregular? Não. A lei permite coisas destas: ao abrigo deste regime, as funções de dirigente sindical são consideradas "de relevante interesse social" ("whatever that means") e pesam 15% na avaliação. O resto vem das habilitações (10%), experiência profissional (30%) e valorização curricular (30%). Experiência de ensino? Nicles

Dir-me-ão que a lei quer evitar que um sindicalista seja prejudicado na carreira. Compreendo. Mas, então, a lei está obsoleta: devia criar uma nova carreira, que não de docente, que se aplicaria a Nogueira e a alguns "dinossauros" que fazem do sindicalismo um modo de vida. Ou então obrigar os sindicalistas a voltarem, periodicamente, ao ensino. Para poderem ser avaliados como docentes. Porque não acredito que quem passa 20 anos naquela vida saiba muita coisa sobre o que deve ser a Escola moderna.

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mais votado JDMT2010 22.12.2011

Neste caso, ou serves os trabalhadores ou serves o Partido Comunista... Encaputado tens servido o partido comunista, és a maior farsa que existe no sindicalismo! Servir os trabalhadores é ser-se independente e escolher as opções que melhor lhes garante o futuro. Quando exiges grandes aumentos estás a prejudicar outros trabalhadores, pois o dinheiro não é elástico (talvez o teu seja...).

comentários mais recentes
Luis Câmara Pestana 27.10.2014

Mas afinal que "raio" de formação académica tem este individuo, que numa recente entrevista á TV disse ser "de matemática"?

baeta Há 1 semana

Obrigado Camilo Lourenço pelas suas reflexões, sempre tão sérias, civilizadas e ponderadas!
Partilho do comentário abaixo do Sr Carlos Lopes; realmente esta "espécie" de professor chamada Mário Nogueira (eu diria NOJEIRA) é o protótipo do PARASITISMO que enxameia PORTUGAL.
Não é que me incomodem as suas BABOSEIRAS, que me dispenso de ouvir, mas antes o seu MODO DE VIDA, sim porque isso mexe (também) com o meu bolso de cidadão contribuinte. Revolta-me pensar que parte dos meus rendimentos de trabalho sirvam para pagar o salário desta ESCUMALHA que vagueia de greve em greve, manifestação em manifestação, arruaça atrás de arruaça há mais de 20 anos (VINTE).
Sou um individuo muito pacífico, mas este e outros como ele mereciam ser colocados (no mínimo) começarem a limpar as florestas do nosso país, eles que são uns verdadeiros "incendiários"; talvez assim justificassem o salário que ganham!

Carlos Kioes Há 2 semanas

Meu caro e amigo Camilo Lourenço, aprecio com simpatia, as suas opiniões, na TVI. Porque nunca estive em desacordo consigo. Porquê.?
Este seu artigo, muito civilizado, colide com o meu modo de pensar em relação a Mário Nogueira. Sou contra muitos indivíduos, desde a escola, que nada fazem e muito falam. Hoje 10/06/2014, vi um conjunto de indivíduos a fazerem barulho com insultos nas comemorações que se realizaram na cidade da Guarda. E não espanto meu, mas NOJO, e lá estava o Mário Nogueira. Não são pessoas que protestam pelos seus
direitos, que por vezes não são possíveis, SÃO COMO AS MOSCAS QUE SE DELEITAM NA MORTE DOS OUTROS. Que vontade eu tinha de lançar uma bomba potente na casa deste ( o quê) desde que lá não estivesse sua família, inocente. Deveria haver leis que retirassem estes individuos da sociedade que trabalha, com dificuldade, mas trabalha...
Este desloca-se de barulho em barulho, como garoto incorrigível e malcriado. NADA FAZ, mas estou farto de ser incomodado.
Precisávamos de justiceiros Snapers. Maravilha...
Desculpe, o senhor é educado demais...
Com muita consideração e admiração,
Carlos Lopes

Frederico Dias Há 8 horas

Como escreve o no seu artigo e bem "...a lei quer evitar que um sindicalista seja prejudicado na carreira." Quanto ao facto de não compreender que as funções de dirigente sindical sejam consideradas de relevante interesse social é não compreender a dinâmica inerente ao sistema social em que vivemos, no qual a defesa do interesse de grupos específicos, neste caso dos professores, é não só uma questão de afirmação da importância desta profissão mas também de participação nos assuntos públicos de forma democrática, entenda-se colectiva e consciente. A representação dos professores e dos seus interesses apenas eleva a democracia suscitando no debate público a consideração pelo conhecimento, tanto das condições de ensino como da condição pessoal dos professores que as afectam, e é promovida nomeadamente pelo dirigente sindical que critica. Devia era denunciar a diferença entre a defesa dos interesses dos trabalhadores que contribuem para a riqueza real do país, não apenas financeira, e o lobby de grupos de interesses como a banca e grandes empresas que deviam estar unicamente ao serviço das pessoas e do bem comum e não de duvidosos interesses privados, individualistas e criminosos que afectam todos, inclusivamente os professores.

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