Fernando  Sobral
Fernando Sobral 15 de janeiro de 2018 às 22:05

A febre de sábado à noite

Ganhar pode ser perigoso, dizia Johan Cruyff, quando falava de futebol. Ele sabia, como poucos, como é difícil gerir o êxito para que ele se perpetue.

Num momento em que o PSD precisa de uma cirurgia estética (política e ideológica) que lhe permita reconquistar o poder, que fará Rui Rio com a sua vitória de sábado à noite? Estas eleições não foram uma versão da "Febre de Sábado à Noite". Nem Santana Lopes (e muito menos Rui Rio) tentava ser uma nova versão de John Travolta, que encontrava na pista de dança a forma de fugir a um emprego repetitivo e sem sentido. Mas ele é um símbolo deste novo tempo do PSD. Dançando, Travolta, libertava-se. E percebia que, ali, eram todos iguais: elite social e a cultura subterrânea misturavam-se. É de alguma maneira isso que o PSD quer reencontrar: o seu lugar na política portuguesa, para que o seu tempo não desapareça. Mesmo que não queira, Rui Rio terá de ser o John Travolta do PSD. Ou então será, em 2019, substituído por outro campeão de dança. O PSD não tem tempo a perder.

 

Ao escolher Rui Rio, o PSD tenta transformar-se para não passar inadvertido nas eleições de 2019. E depois dela. Resta saber se o discurso cinzento e puramente economicista de Rui Rio é o elixir que o partido necessita para renascer. Rui Rio vai ter de mostrar que o voto no PSD será útil. Para que, assim, chegue ao poder (ou o possa partilhar). Em política, o estado de ânimo é a chave do sucesso. E, numa campanha eleitoral (que Rio agora terá já de começar) isso é decisivo. Terá de gerir as emoções e as percepções populares. E trazer ideias novas para a sociedade, para a saúde, para o ensino e para a cultura (um tema muito escorregadio para Rui Rio). Os eleitores estão perplexos, cansados e decepcionados. Mas não é com pensamentos negativos (o grande erro de Pedro Passos Coelho) que chegará lá. A tristeza (e o apelo à pobreza) não ganha eleições nem o coração dos militantes e votantes. A febre de sábado à noite terminou. O tempo do calculismo terminou para Rui Rio.

 

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Mr.Tuga 16.01.2018

Certo.

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