Fernando Ilharco
Fernando Ilharco 02 de fevereiro de 2017 às 20:40

A força de um objectivo

Um propósito, um objectivo ou uma finalidade é algo central para uma vida significativa. E não precisa de ser ganhar o Prémio Nobel, acabar com a pobreza no mundo ou ir ao planeta Marte. Pode ser, mas não é necessário.

O que nos motiva, puxa por nós e é significativo não é o que fazemos ou deixamos de fazer, mas a maneira como entendemos o que fazemos. Um propósito significativo é ter um bom "porquê"?

 

Porque somos como somos? Porque fazemos o que fazemos? Perguntam a ciência e a filosofia há séculos, milénios… Por vontade de prazer, escreveu Sigmund Freud, o fundador da psicanálise. Por vontade de poder, escreveu Friedrich Nietzsche, o filósofo alemão. Para sobrevier, escreveu Chales Darwin, o pai da teoria da selecção natural e da sobrevivência das espécies. Respostas interessantes, mas longe da melhor de todas: fazemos o que fazemos e somos o que somos por vontade de significado, disse Victor Frankl, psiquiatra austríaco, sobrevivente dos campos de concentração nazis. Ecoando a sua experiência de tempos sombrios, Frankl escreveu "quem tem um bom porquê aguenta qualquer como".

 

Uma boa vida, motivada, desafiante, cheia, é uma vida significativa. É uma vida ao serviço de uma causa, ao serviço dos outros e do mundo. Quando nos anos 1960, John Kennedy, o Presidente norte-americano, visitou a NASA e perguntou a um funcionário o que estava ele a fazer, ele respondeu: "Ajudo a pôr um homem na Lua." Podia ter dito que limpava as instalações e despejava o lixo.

 

Um propósito grande, significativo e motivador. É como o homem na Lua. É a longo prazo e estável. É algo à volta do qual podemos organizar o nosso dia-a-dia, o nosso ano de trabalho, a nossa vida. É algo que muda a nossa vida, a vida dos outros e que um dia pode mudar o mundo. É algo que afecta outros, além de mim mesmo; e é isso que é significativo.

 

Num estudo, publicado na revista Academy of Management Journal, analisa-se o trabalho de uma equipa de limpeza de um hospital. Alguns dos profissionais sentiam o seu trabalho como um emprego, sem interesse nem significado especial. Mas outros sentiam-no como algo que afectava os demais no hospital e na cidade; que afectava o bem-estar dos doentes. Eles procuravam interagir positivamente com as enfermeiras, com os médicos, com os visitantes e com os funcionários do hospital em geral. Sentiam que contribuíam para o bom funcionamento do hospital e para a recuperação dos doentes. Tinham melhor satisfação com a vida do que alguns médicos que não sentiam o seu trabalho como significativo.

 

Ajudar a pôr um homem na Lua, ajudar pessoas doentes a ficarem boas, contribuir para um mundo melhor: um bom porquê faz uma vida significativa. Ralph Waldo Emerson, escritor americano do século XIX, comentou: "Em mentes diferentes, o mesmo mundo é um inferno ou um paraíso."

 

Professor na Universidade Católica Portuguesa

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