Fernando  Sobral
Fernando Sobral 25 de janeiro de 2017 às 09:44

A França presidencial perdida no seu labirinto

Os presidenciais francesas vão ser determinantes para o futuro da Europa. E entre as sólidas candidaturas de Marine Le Pen e de François Fillon, o PS tenta decidir qual será o seu candidato: Manuel Valls ou o inesperado Benoît Hamon?

Pelo caminho ainda surge Emmanuel Macron. No Independent, Andreas Whittam Smith reflecte sobre este candidato: "Que partido representa Macron? Não representa. Ele criou o seu próprio partido, En Marche! Onde se situa no espectro político? Não se situa. O seu princípio fundador é 'nem na direita nem na esquerda'. Esta falta de posicionamento tradicional pode ser uma das suas atracções. Nesse aspecto, Trump não foi muito diferente. Ele foi o candidato oficial dos republicanos, mas isso parece ter sido apenas uma questão de conveniência, como ter um passaporte de um país onde viveste muito pouco. (…) Macron apresenta-se como o candidato anti-sistema, mas em termos de educação e carreira ele é um exemplo perfeito das elites francesas. Parece um duque a criticar a aristocracia."

No L'Obs, Serge Raffy reflecte sobre o futuro do PS: "Atenção, pensam estar a votar no candidato para as presidenciais? Erro. Estão a votar para o Grande Redentor, o Sábio Supremo, aquele que restaurará o brasão de um PS destinado à degradação, esse partido atirado para as lutas intestinais, para os debates ideológicos antidiluvianos, para os pequenos jogos de aprendizes de feiticeiro da esquerda dogmática que transformaram os cinco anos de François Hollande num campo de ruínas. (…) Ao tomar a iniciativa de se atirar para a batalha, Manuel Valls transformou-se num kamikaze." No L'Express, Christophe Barbier avança: "Entre a esperança e a ilusão há a espessura de um boletim de voto. Ao colocar Benoît Hamon na posição de hiperfavorito das primárias, o que resta da França de esquerda escolheu a utopia porque ela viu ali ideias para o futuro."


A sua opinião0
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
pub