Alexandre Real
Alexandre Real 27 de agosto de 2017 às 19:45

A fraude da resistência à mudança

Há quem defenda que para construirmos uma "auto-estrada neuronal" necessitamos de no mínimo de sessenta dias, ou seja, para interiorizarmos e automatizarmos uma mudança necessitamos de no mínimo de sessenta dias.

É um clássico organizacional, ouvirmos dizer que as pessoas são resistentes à mudança.

 

Esta afirmação é uma fraude, porque efetivamente ninguém é resistente à mudança, o que existem são processos mal formulados e indevidamente planeados de gestão da mudança.

 

Quando pensamos em mudança teremos que inicialmente saber responder a um paradoxo.

 

A estabilidade é importante para a produtividade do dia a dia e para a paz social, mas a mudança é um imperativo de sobrevivência ou seja se não mudarmos a nossa concorrência nacional e mundial ultrapassar-nos-á. Neste contexto e para ultrapassarmos o paradoxo inicial será fundamental elaborarmos um a questão de partida:

 

O que temos a ganhar e a perder com a mudança?

 

Depois de elaborarmos a listagem do que ganhamos e do que perdemos, sugere-se de seguida realizar um balanço para averiguar se a proposta de mudança tem um impacto mais positivo, negativo ou até nulo.

 

Depois de resolvermos esta questão de "trade-off" é fundamental desenharmos e implementarmos uma estratégia de comunicação para todos os destinatários diretos e indiretos da mudança.

 

Esta estratégia de comunicação deverá contemplar:

 

- O que temos a ganhar com a mudança?

 

- Quais os principais condicionalismos que poderão acontecer com a implementação deste processo?

 

- Alertar que possivelmente surgirão novas condicionantes que não são possíveis determinar ou prever na fase de planeamento?

 

- Qual o prazo de implementação?

 

- Quais as ameaças externas para o facto de não mudarmos?

 

Ao desenharmos o processo de mudança é muito importante sermos calculosos no que toca à previsão das várias condicionantes que surgirão, e é essencial não termos pressa na implementação da mudança. É muitas vezes na pressa de mudar que surge a questão de que as "as pessoas são resistentes à mudança".

 

Mudança exige que as pessoas saibam porque estão a mudar e é necessário que seja respeitado o " relógio biológico da mudança". Todos nós temos as chamadas "auto-estradas neuronais" que são consubstanciadas nos nossos hábitos, por exemplo quando vamos para o nosso trabalho e fazemos um certo itinerário igual todos os dias, a partir de algum tempo agimos em "piloto automático", ou seja, atuamos sem pensar qual o itinerário que vamos realizar. Este automatismo de ações está intrínseco a um conjunto de tarefas quotidianas tanto a nível pessoal como profissional.

 

Há quem defenda que para construirmos uma "auto-estrada neuronal" necessitamos de no mínimo de sessenta dias, ou seja, para interiorizarmos e automatizarmos uma mudança necessitamos de no mínimo de sessenta dias.

 

Neste sentido pode-se afirmar que a mudança não é determinada pela vontade das pessoas mas sim por um processo biológico que leva tempo e que deve ser respeitado.

 

Gestor e Professor Universitário

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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