Fernando  Sobral
Fernando Sobral 28 de agosto de 2017 às 19:58

A guerra sem fim

Donald Trump mudou de opinião e vai reforçar o contingente militar americano na infindável guerra do Afeganistão. Mas qual é o seu verdadeiro interesse?

O Afeganistão não é conhecido como o cemitério dos impérios por mero acaso. Alexandre, o Grande, não conseguiu conquistar este país. Os britânicos foram derrotados ali duas vezes. Os soviéticos sofreram lá uma grande derrota, depois de uma década a tentar governá-lo. Causa assim mais estranheza o "volte-face" de Donald Trump que, depois de ter defendido durante muito tempo a retirada total das tropas do país, veio agora anunciar uma alteração dos planos americanos: um aumento das suas 8 mil tropas no país, talvez para 12 mil. Um pequeno aumento, mas que poderá significar um incremento maior num futuro próximo, como parecem advogar os generais que hoje têm um poder relevante na Casa Branca. Era contra isto que Steve Bannon lutava: ele queria a saída dos EUA do Afeganistão. No momento mais forte da presença americana no Afeganistão, em 2011 com Obama, estavam ali 100 mil militares. O certo é que, com o tempo, os talibãs ganharam mais força e o Daesh implantou-se também ali. Com a entrada deste novo protagonista na guerra, esta tornou-se mais atroz, levando a aumentar a dificuldade de negociar com os talibãs já que estes, para responder ao Daesh, também aumentaram a ferocidade dos seus ataques.

 

Além da cobiça americana (reforçada pela visão "empresarial" de Trump na presidência) sobre os minerais (cobre, alumínio, ouro, lítio e mercúrio)  existentes no Afeganistão e sobre a vontade de construir um "pipeline" que passaria pelo país (e que o governo de Cabul não aprova totalmente), a estratégia militar assenta em tentar impedir que o Daesh ali se imponha. O embaixador afegão em Washington já confirmou o interesse de Trump no "sector mineral" do país e responsáveis americanos já falaram numa troca de "minerais" por apoio militar. O certo é que grande parte da "ajuda" americana ao Afeganistão no último ano e meio não tem sido para a reconstrução económica, mas sim militar. Mas a corrupção é galopante na administração afegã, tal como no seu sector militar e policial. Além disso há o conflito étnico: apesar de a maioria da população ser pashtun (talvez 40%), o exército está dominado pelos tajiques (que também ocupam lugares de relevo na administração política de Cabul). Contra isso os talibãs (que parecem contar com um apoio cada vez maior do Irão) oferecem protecção à população pashtun e aos negócios, especialmente de ópio. Ver-se-á o que levará esta guerra sem fim.

 

Turquia: a visita de James Mattis e a questão curda 

 

A questão curda aproxima Turquia e Irão e afasta Ancara de Washington. O projecto do Governo do Iraque de avançar para um estatuto próximo da independência levantou já sérias preocupações na Turquia, porque se pensa que esse será um primeiro passo para alargar esse território a partes da Síria e olhar para as zonas curdas do Irão e da Turquia. É um assunto muito sensível porque os americanos encontraram nas forças militares curdas os aliados terrestres perfeitos para o seu avanço contra o Daesh sem a necessidade de colocar soldados seus no terreno. Mas a aliança dos EUA com as forças curdas do YPG, a extensão síria do ilegalizado PKK turco, "não é uma escola mas uma necessidade", como disse o secretário de Defesa americano James Mattis ao Presidente turco Tayypp Erdogan durante a sua visita a Ancara a 23 de Agosto.

 

Mattis terá garantido a Erdogan que seriam fornecidos aos turcos os dados das armas dadas ao YPG para que haja um controlo sobre se elas cairão nas mãos do PKK para ser utilizadas contra a Turquia. O YPG faz parte das Forças Democráticas Sírias apoiadas pelos EUA na luta contra Bashar al-Assad e contra o Daesh. Mattis também terá chegado a acordo com Erdogan para que a cidade de Raqqa não venha a ser governada pelo YPG, mas pelos árabes originários da área. E garantiu que a NATO continua a ser um forte apoio da Turquia contra todas as ameaças externas. Seja como for a Turquia espera para ver. A Turquia comprometeu-se a que a base de Incirlik continuará aberta aos EUA para operações contra o Daesh. E também que a integridade territorial da Síria e do Iraque deve ser mantida, contra as tentações de muitos intervenientes, a começar pelos curdos. Pelo meio ter-se-á conseguido algum desanuviamento nas relações da Turquia com os EUA. Seja como for, Ancara já chegou a acordo com Moscovo para a compra do sistema de defesa de mísseis S-400.

 

Macau: apoio às vítimas

 

O Governo de Macau vai disponibilizar 1.350 milhões de patacas para o apoio às vítimas do tufão Hato, incluindo 300 mil patacas aos familiares de cada vítima mortal. O Hato foi o pior tufão a atingir Macau em 50 anos. A Fundação Macau já recolheu 100 mil garrafas de água para distribuir aos mais necessitados. O Governo voltou a falar da linha de crédito, sem juros, criada para as pequenas e médias empresas (PME) afectadas pelo tufão Hato até ao montante máximo de 600 mil patacas e anunciou um pacote de "medidas de abono" paras estas empresas "responderem às situações emergentes", com um limite máximo de 30 mil patacas.

 

Índia/China: retirada de tropas

 

O MNE indiano anunciou um acordo com a China para a retirada de tropas da disputada fronteira dos Himalaias, que tem colocado frente a frente, nas últimas semanas, soldados de ambos os países. A zona de confronto é Doklam, nas fronteiras da China, Índia e Butão, e onde os interesses estratégicos dos dois países são díspares. As fronteiras entre ambos continuam a ser alvo de disputa. O anúncio foi feito nas vésperas do encontro dos BRIC a que China e Índia pertencem.

 

Angola: centro comercial abre

 

O Centro Comercial Ango-Chi Shopping, uma parceria entre o Cofre de Previdência do Pessoal da Polícia Nacional (CPPPN) e o grupo H&S China Huashi Group, reabre em Setembro, noticiou o Jornal de Angola. O centro esteve encerrado por decisão do Instituto Nacional de Defesa do Consumidor (Inadec) e da Polícia Económica, devido à comercialização de produtos e serviços sem rotulagem em português. O centro comercial, cujas lojas, entre angolanas, chinesas, portuguesas e de outras nacionalidades, ocupam cerca de 46 mil metros quadrados, dispõe ainda de uma área de 7.100 metros quadrados para promoção de feiras e outros eventos. 

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