André  Veríssimo
André Veríssimo 04 de setembro de 2017 às 10:00

A impopularidade de Macron e a reforma laboral

Desafiando a quebra vertiginosa de popularidade (40% de aprovação) que o coloca como o Presidente francês mais impopular nesta fase do mandato, Emmanuel Macron decidiu avançar com a reforma da legislação laboral. Que preço pagará pela sua "revolução copérnica"?

A reforma, que terá ainda de ser aprovada, gira à volta da flexibilidade e facilitação dos despedimentos, tirando peso à negociação colectiva e logo poder aos sindicatos. Mas fica aquém da proposta inicial e do que queria o patronato.

O Le Monde faz o balanço em editorial: "Ao fim de contas, não estamos num jogo em que todos ganham, e a balança está muito desequilibrada em favor da flexibilidade para que se possa considerar um compromisso entre o patronato e os sindicatos. (...) A grande vitória do Executivo foi ter conseguido evitar a reconstituição de uma ampla frente sindical contra a sua reforma."

À esquerda, a medida é rotulada como um "golpe de estado social". Charlotte Girard, porta-voz do movimento França Insubmissa de Jun-Luc Mélenchon, diz que "da coxa de Júpiter saiu uma agressão que em nada contribuirá para lutar contra o desemprego".

Os patrões não disfarçam o contentamento. "Esta reforma é uma primeira etapa na construção de um direito do trabalho consonante com a realidade quotidiana das empresas", comentou o presidente do poderoso Medef, Pierre Gattaz. Mas não cantam ainda vitória: "O diabo está nos detalhes" do processo legislativo.

A legislação laboral francesa é uma vaca sagrada. Há já marchas de protesto nas ruas. Preocupado, Macron contratou um novo assessor de comunicação, Bruno Roger-Petit, até aqui jornalista televisivo. O director do departamento de estratégia do centro de sondagens Ifop, Jérôme Fourquet, deixa ao Le Figaro o seu conselho: "Macron soube criar um forte desejo de mudança durante a campanha, o que muito contribuiu para a sua vitória. Mas é preciso continuar a seguir esse roteiro e, pelo menos nos primeiros meses, dar prova dessa determinação." A reforma que França julgava impossível já está no papel. Do seu futuro dependerá o futuro político de Macron.
A sua opinião3
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado Anónimo Há 2 semanas

É certo e sabido, a UE, a OCDE e o FMI não se cansam de afirmá-lo, que Portugal precisa de governos capazes de fazer o que Macron prometeu fazer ("Ingressaremos gradualmente numa época em que ter um emprego vitalício baseado em tarefas que não são justificadas será cada vez menos sustentável - na verdade já estamos lá." - Emmanuel Macron) e Schäuble afirma que Schröder já fez na Alemanha há bastante tempo ("Alemanha e a França estavam praticamente ao mesmo nível em termos de performance económica em 2003, antes de o antigo chanceler Gerhard Schröder ter implementado uma reforma na área laboral." - Wolfgang Schäuble).

comentários mais recentes
Anónimo Há 2 semanas

É certo e sabido, a UE, a OCDE e o FMI não se cansam de afirmá-lo, que Portugal precisa de governos capazes de fazer o que Macron prometeu fazer ("Ingressaremos gradualmente numa época em que ter um emprego vitalício baseado em tarefas que não são justificadas será cada vez menos sustentável - na verdade já estamos lá." - Emmanuel Macron) e Schäuble afirma que Schröder já fez na Alemanha há bastante tempo ("Alemanha e a França estavam praticamente ao mesmo nível em termos de performance económica em 2003, antes de o antigo chanceler Gerhard Schröder ter implementado uma reforma na área laboral." - Wolfgang Schäuble).

Anónimo Há 2 semanas

Banqueiros de retalho e geringonceiros anarco-sindicalistas do compadrio resgate-dependente, não tenho rendimentos ou património suficientes para sustentar as vossas vidas vividas acima das vossas possibilidades. Desinchem s'il vous plaît. "We will gradually enter a time where having a lifetime employment based on tasks that are not justified will be less and less sustainable - we're actually already there." - Emmanuel Macron www.msn.com/en-gb/video/other/french-civil-servants-no-more-jobs-for-life/vi-AAeGlDD

Anónimo Há 2 semanas

Os presidentes franceses agora estão fadados a serem eleitos e a tornarem-se imediatamente impopulares. isto deverá querer dizer alguma coisa; ou não há dinheiro, ou não há coragem política para assumir reformas estruturais essenciais, ou é tudo isso junto mais uma grande falta de carisma.
A França já não é o que era. Há décadas.
O problema é que a Europa toda vai pelo mesmo caminho. Tirando a Alemanha.