Luís Todo Bom
Luís Todo Bom 04 de fevereiro de 2018 às 20:00

A importância das grandes empresas

O que se está a passar, neste momento, na Autoeuropa, é o início do processo de maior destruição de valor industrial e empresarial, em Portugal.

A Autoeuropa iniciou já o seu processo de deslocalização faseada.

 

A alteração do actual paradigma económico e empresarial do país, suportado em indústrias tradicionais e no turismo, com baixos salários e baixa produtividade, só é possível através dum programa estruturado de inovação empresarial.

 

Esta inovação tem de ter uma componente tecnológica relevante e uma maior preponderância de inovação radical (fazer diferente).

 

Deve, ainda, incidir, dum modo significativo, na inovação no processo e no posicionamento e não só, na inovação no produto e serviço.

 

A inovação tecnológica exige uma engenharia de qualidade (que o país possui, mas mal aproveitada) e um sistema de inovação empresarial, incluindo parques e centros tecnológicos, incubadoras, unidades de transferência de tecnologia,… (que o país dispõe, mas que funcionam duma forma ineficiente).

 

Requer, ainda, que as nossas unidades do sistema de inovação empresarial passem a estar integradas em redes internacionais de partilha e aumento do conhecimento.

 

Em termos empresariais, as start-ups tecnológicas não são a solução, face à sua dimensão e à inexistência em Portugal dum ecossistema semelhante a Silicon Valley.

 

Mais call centers, mesmo que disfarçados de centros de serviços, também não alteram a situação actual!

 

A alteração significativa da nossa situação actual passa, assim, pela atracção de investimento estrangeiro, de empresas de grande e média dimensão, com uma base tecnológica sólida, que utilizem o nosso país como uma plataforma de produção e de desenvolvimento, para o mercado global.

 

É neste quadro de referência que devemos analisar o que se está a passar na Autoeuropa.

 

Num momento em que Portugal devia estar a fazer um esforço coordenado e estruturado, para atrair para o nosso país médias e grandes empresas, tecnologicamente actualizadas e a operarem, dum modo competitivo, no mercado internacional, estamos a expulsar do país, a curto-médio prazo, uma grande empresa, de matriz alemã, emblemática, inovadora e exportadora.

 

O país tem de entender, rapidamente, que a organização sindical que mais clama contra os baixos salários está na origem da expulsão, de Portugal, de grandes empresas internacionais, que praticam salários elevados.

 

Com base numa opção política, de extrema-esquerda, de quanto pior, melhor.

 

O país tem de entender, rapidamente, que se vai desperdiçar, duma forma irresponsável, o esforço dum grande conjunto de quadros portugueses, que conseguiram garantir a localização da Autoeuropa em Portugal.

 

E que, na sequência deste processo, o nosso país será riscado das localizações potenciais de novos investimentos, com estas características.

 

O país tem de entender, rapidamente, tudo isto, e agir em conformidade.

 

Para defesa e protecção das gerações futuras.

 

Gestor de Empresas

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