Fernando  Sobral
Fernando Sobral 17 de abril de 2017 às 19:30

A incógnita Coreia do Norte

A ditadura norte-coreana continua a desafiar tudo e todos. Pela frente tem agora uma administração americana que parece fazer da imprevisibilidade a sua actuação. O que acontecerá?

De um lado, está um ditador sentado em cima de um arsenal nuclear e de uma sociedade militarizada até ao extremo. Do outro, uma administração americana imprevisível, que muda de alianças e opções à velocidade de um tweet. No meio, uma das feridas que continua por sarar desde a longínqua guerra da década de 1950 que separou definitivamente a Coreia do Sul da Coreia do Norte. A pairar sobre tudo o receio de um conflito que poderá ter consequências trágicas na região. Tudo pode acontecer. Há 25 anos que os EUA buscam uma fórmula para que a Coreia do Norte abandone o seu programa de armas nucleares, esperando ao mesmo tempo que a China tenha um papel persuasivo sobre o inefável Kim Jong-un. O encontro entre Trump e Xi Jinping nos EUA não parece ter aberto novas opções para a tensão. E a entrada em cena da esquadra dos EUA na região apenas ensombra a questão.

 

Atacar a Coreia do Norte parece o pior de todos os cenários possíveis. O resultado seria sangrento e imprevisível. A capital da Coreia do Sul, Seul, está ao alcance das armas de Pyongyang e o Japão também seria um alvo. E há ainda a capacidade nuclear norte-coreana, que Kim Jong-un poderia utilizar dentro do seu mundo fantasioso. Depois, como é que reagiria a China a um conflito (eventualmente nuclear) nas suas fronteiras? Como dano pouco colateral um conflito desta envergadura causaria o caos nas economias globais. Mas há quem diga que até agora as sanções contra a Coreia do Norte não foram suficientemente sérias.

 

Por um lado seria necessário que o maior parceiro comercial da Coreia do Norte, a China, actuasse convictamente para cortar o oxigénio a Kim Jong-un. Por outro parece evidente que as manobras norte-coreanas para evitar as sanções nunca foram devidamente monitorizadas, deixando sempre a porta aberta para o regime encontrar opções para as suas necessidades em diferentes mercados. Sabe-se que Pyongyang consegue receitas de falsificação de moeda, fabrico de drogas ilegais e crime digital. Depois tem operações "lícitas" para conseguir fundos. Cerca de 100 mil norte-coreanos trabalham na Europa, Médio Oriente, África, Rússia e China, em sectores como as minas ou os restaurantes. Sabe-se que operadores comerciais da Coreia do Norte trabalham abertamente na Malásia, em Taiwan e em Singapura, conseguindo moeda forte para o país. Ou seja, a opção militar parece ser um relativo delírio. Porque outras coisas podem ser feitas.

 

Turquia: o tempo de Recep Tayyip Erdogan

 

A proposta de revisão constitucional que dá poderes presidencialistas a Recep Erdogan ganhou. Por pouco, e com fortes críticas da oposição que alega fraude eleitoral, mas é o suficiente para que o Presidente se assuma como o sultão de uma nova Turquia que ainda não conhecemos. A Turquia que esperava o resultado do referendo confronta-se hoje com sinais muito contraditórios, seja na sociedade civil, seja na economia, onde ainda são visíveis as ondas de choque do falhado golpe de Estado e os resultados de vários atentados. No meio disso tudo, a economia turca cresceu 3% em 2016. O crescimento económico tem sido sustentado pela despesa pública e pelo consumo das famílias (um motor tradicional do crescimento). Isto num país de população jovem, não admirando que o país continue a merecer o favor dos investidores estrangeiros, seduzidos por um mercado de 75 milhões de habitantes.

 

A desvalorização da lira turca também contribuiu para o aumento de exportações para a Europa. Seja como for a economia começa a sentir o problema da quebra turística, que múltiplos atentados desencorajaram. As receitas do turismo caíram 30% em 2016 e nem a melhoria das relações com a Rússia trouxe suficientes turistas russos para alterar a situação. É um golpe duro, porque o turismo representa cerca de 4% do PIB e muitos empregos. Por outro lado a desvalorização da moeda, se é boa para as exportações, inquieta a elite económica turca: nos anos de dinheiro fácil as grandes empresas alimentaram-se de empréstimos, normalmente em dólares. Assim a sua vulnerabilidade é grande. Há outro factor a ter em consideração: a inflação ultrapassa os 11%. Erdogan tem um trunfo: o fundo soberano turco, para onde foram sendo transferidos milhares de milhões de euros de activos públicos. Será ele muito provavelmente a alimentar os investimentos públicos previstos por Erdogan.

 

Turismo: mais chineses

 

O relatório da World Tourism Organization da ONU  refere que o gasto do turismo chinês cresceu 12% em 2016, cimentando a posição da China como líder do mercado mundial de turismo. No total, 135 milhões de chineses viajaram para o estrangeiro, um aumento de 6% face a 2015. É o quinto ano consecutivo em que a China é o líder do mercado de turismo mundial. Apesar de o crescimento ter abrandado nos últimos anos, o relatório sublinha o crescente gasto de cada turista chinês, que ultrapassa a média dos turistas de outras nações. Em 2016, os turistas chineses gastaram 261 mil milhões de dólares nas suas viagens.

 

China: economia cresce

 

As exportações chinesas voltaram a subir em Março e, junto ao aumento de importações, catapultaram o comércio externo para o maior crescimento em seis anos no primeiro trimestre. As exportações cresceram 16,4% e o aumento das vendas para a Coreia do Sul, Taiwan e Sudoeste Asiático contribuíram decisivamente para isso. Só as vendas de telemóveis cresceram 21,1%. As importações chinesas em Março cresceram 20,3%. Importante verificar que as importações de petróleo aumentaram 20%. A balança comercial chinesa teve saldo positivo de 23,93 mil milhões de dólares.

 

Macau: jogo catapulta bolsa

 

Os sinais de que existe novamente um aumento de receitas do jogo em Macau tiveram um efeito muito positivo nas cotações das empresas concessionárias na bolsa de Hong Kong. O sector do jogo cresceu em Março cerca de 10% no índice bolsista da antiga colónia britânica e em Abril a tendência tem-se mantido. A SJM Holdings valorizou-se 14,2%, a Wynn Macau, 9,5% e a MGM China, 9,4%. A cotação das acções subiu desde que as autoridades de Macau anunciaram resultados muito positivos em Março, no caso um aumento de 18,1% face a igual mês do ano anterior.

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