Fernando  Sobral
Fernando Sobral 23 de outubro de 2017 às 09:41

A insensibilidade de Trump e as negociações do Brexit

Há poucos dias morreram vários soldados americanos no Níger. Entre eles La David Johnson. Depois de dias sem ter dito nada no Twitter sobre o assunto, Trump telefonou à viúva.
De acordo com quem ouviu a conversa, Trump disse-lhe que o marido "sabia ao que ia", mesmo que a sua morte fosse dolorosa. Esta insensibilidade foi escutada por Frederica S. Wilson, que estava com a família, e que por acaso é membro da Câmara dos Representantes. Ficou chocada e telefonou a Trump. No Washington Post, Eugene Robinson escreve: "Trump é um homem fraco e narcisista num trabalho que requer força e empatia. Não sei se ele sabe o significado da palavra empatia. Ele age como se acreditasse que sentir a dor alheia é para perdedores e não para vencedores. (…) Temos um Presidente que acredita que fazer o derradeiro sacrifício para a nação é menos importante do que ser a favor ou contra Trump."

No New York Times, Paul Krugman fala das negociações dos acordos comerciais Nafta: "Abdicar do Nafta seria terrível para o México e mau para os EUA. Seria péssimo para os maiores interesses empresariais americanos, que gastaram duas décadas a construir as suas estratégias competitivas à volta de um mercado do Norte da América integrado. Pode ser bom para o frágil ego de Trump. Mas isso é uma razão para recear o pior. O Nafta corre riscos sérios. E se for destruído a única questão é se as consequências serão feias ou muito feias." A propósito de negociações, Pascal Lamy, antigo comissário europeu, diz ao Financial Times: "A diferença fundamental entre a visão do Reino Unido e a de França e Alemanha, é que os britânicos ainda acham que isto é uma negociação. Não é uma negociação, é um processo gerido para minimizar os danos. Eles parecem acreditar que podem comprar algo com o dinheiro que têm de pagar." Os dados estão na mesa.



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