Fernando  Sobral
Fernando Sobral 17 de abril de 2017 às 09:30

A Lava Jato e o colapso político no Brasil

Se dúvidas existissem, as declarações de Marcelo Odebrecht, de casaco azul marinho e camisa, aos investigadores da Lava Jato são um tremor de terra no centro político do Brasil.
Os vídeos da colaboração foram divulgados pelo Supremo Tribunal de Justiça e um dos homens mais ricos do Brasil, preso há um ano, não poupa ninguém: Michel Temer, Dilma Rousseff, Lula da Silva, Aécio Neves e os respectivos partidos eram os beneficiários e, muitas vezes, personagens, de um esquema de oferta de dinheiro para campanhas eleitorais. Tudo em troca do apoio geral e favores específicos para aprovar legislação que interessava ao grupo empresarial. O pai de Marcelo Odebrecht, Emílio, diz mesmo: "Lula, seu pessoal está com a goela muito aberta." Razão para Celso Ming, no Estado de S. Paulo, escrever: "A Lava Jato se firma como um divisor de águas na história do país, mas ainda há muito o que passar a limpo."

Interessante é a análise de Juan Arias, no El País/Brasil: "Morreu hoje o Brasil da velha República, o da corrupção sistémica que pôs a nu toda a classe política sem distinção de credos ou ideologias. Eles morrem juntos e abraçados. Surgirá, agora, um Brasil novo e renovado? 'Dependerá de nós, da sociedade. Precisamos de estar unidos para não voltarmos a ser enganados', afirmam atropeladamente em sua análise algumas pessoas que estão comprando o jornal na pequena banca do meu bairro. Parecem convencidas de que, dos escombros dessa classe política, poderá nascer um Brasil melhor, vigiado de perto pela sociedade. (…) O castelo desmoronou por inteiro. Não ficaram de pé quaisquer pilares privilegiados. Será preciso reconstruir o país juntos." A "feira nacional do suborno", como lhe chama Vinicius Torres Treire, na Folha de S. Paulo, é agora transparente. Resta saber o que vai acontecer no universo político brasileiro.



A sua opinião0
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
Saber mais e Alertas
pub