Teresa Damásio
Teresa Damásio 02 de novembro de 2017 às 08:04

A Liderança nas Escolas

Nos dias 2 e 3 de novembro irá realizar-se em Lisboa, na Fundação Calouste Gulbenkian, o 1º Congresso das Escolas organizado pela AEEP – Associação dos Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo, ANESPO – Associação Nacional de Escolas Profissionais, pela ANDAEP - Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas e pela ANDE - Associação Nacional de Dirigentes Escolares.

Um momento ímpar na História da Educação em Portugal e que deve ser vivamente saudado.

Por ocasião da celebração dos 30 anos da Lei de Bases do Sistema Educativo as Direções das quatro Associações representativas do ensino não superior português reúnem-se com o grande propósito de mostrar que é possível debater a Escola em conjunto mesmo quando se representa o público e o privado.

Infelizmente, estamos habituados a assistir a ouvir falar da Educação e da Escola da forma errada. Isto porque ao longo dos anos foram-se criando estereótipos acerca da Escola com base na sua inserção territorial e nas caraterísticas dos membros da Comunidade Educativa.

Quando se fala da Escola há muitos que esquecem o essencial– debater as pedagogias, a transmissão das aprendizagens, a motivação dos professores e a felicidade dos alunos por conseguirem ter sucesso no seu percurso escolar e serem consequentemente seres humanos mais ricos nos Valores e vivência dos mesmos por causa da Escola e daquilo que os seus Professores lhe transmitiram.

Para isso, é preciso que os Professores estejam motivados e que nas Escolas onde lecionam as Lideranças sejam eficazes ao estabelecerem objetivos, quer individuais quer para o grupo, ao motivarem as equipas e ao aplicarem as competências interpessoais no sentido da plena integração na Sociedade Civil.

A questão das Lideranças nas Escolas é fulcral para trazer para o dia a dia da Escola a matriz educativa inscrita no respetivo Projeto Educativo e isso, só pode ser feito por quem detém o poder e a autoridade.

Temos que discutir sem pudor um Modelo de Governança para as Escolas. O Direito Comercial enquadra em termos jurídico o Governo das Sociedades e obriga os acionistas a terem modelos bem definidos para as respetivas empresas. As Escolas também precisam desses Modelos. Hoje mais do que nunca.

Habituámos-mos a falar da Liderança no âmbito das Ciências Empresariais e para aplicação na Gestão de Pessoas em contexto organizacional.  Esquecemos-mos que a Escola é, a par da Família, uma das primeiras experiências agregadoras que o ser humano vive e que para que o seu crescimento seja harmonioso a Escola deve ser um espaço onde o Talento de cada um seja exposto ao olhar coletivo e à avaliação dos pares e dos stakeholders. Ora isso só pode ser feito em Escolas, sejam elas públicas ou privadas, com Lideranças eficazes, transparentes e que incorporem perante a Comunidade a prática reiterada da accountability.

Temos demasiados exemplos, quer nacionais quer internacionais, que demonstram que é perigoso não prestarmos contas das nossas atividades. Essa responsabilização é ainda maior quando se ocupam posições de liderança.

O 1º Congresso da Escolas irá, ao longo dos dois dias, apresentar um novo olhar acerca da Educação e da Escola. A questão da Liderança nas Escolas, bem como, a questão da Autonomia da Escola e do Currículo, da Flexibilidade Curricular no Ensino Científico Humanístico e no Ensino Profissional, do modelo de governo das Escolas, entre outras, serão debatidas por diferentes atores que representam a diversidade da Educação em Portugal.

Destaco a presença do Senhor Presidente da República que trouxe para a vida pública portuguesa os Afetos. De forma desassombrada o Professor Marcelo Rebelo de Sousa tem mostrado às portuguesas e aos portugueses que é preciso ser afetuoso com o outro.

Ora, a Escola precisa de Líderes talentosos, motivadores, transparentes, mas que tragam a dimensão dos afetos como um dos eixos estratégicos da Escola! A Escola, a par da Família, deve ser o lugar onde o Ser Humano é premiado, valorizado e acarinhado.

Sem Líderes não há Escolas com Professores e Alunos Felizes onde o Sucesso seja a conjugação natural de todos estes vetores!

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Mayya Há 2 semanas

Congratulations, doutora Teresa Damasio! Wish You all successes in the way of creating a Dream School, as you mentioned "The place where the Human Being is rewarded, valued and cherished!"

Há 2 semanas

O poder está-se a cagar para a Escola e para os alunos. Serve-se dela como uma extensão dos partidos. Há diretores que nem lá põem os pés e delegam nos amigos enquanto tratam dos negócios de fornecimento de serviços, manutenção, refeições, limpeza, etc. Obrigado PS/PSD pela destruição da Escola.

Há 2 semanas

Liderança nas Escolas ? O que era preciso era um CSI para investigar diretores e conselhos gerais onde impera o compadrio e a corrupção com as autarquias. Vejam quantos diretores já foram afastados dos cargos por corrupção e abuso de poder. A Escola de hoje foi politizada pela máfia PS/PSD.

zé dos Bois Há 3 semanas

Neste momento, dada a composição do Conselho geral ( que aprova a Direcção) a GRANDE maioria das direcções das escolas é escolhida "politicamente". Os professores não têm peso nenhum na decisão. Até os ditos "parceiros" da escola ( que até podem ser fornecedores da escola) mandam mais que os profs.

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