Joaquim Aguiar
Joaquim Aguiar 18 de dezembro de 2017 às 22:15

A luz e a sombra

Onde houver um corpo e luz, haverá sombra. E Leonardo da Vinci recomendava que, para se salientar a luz numa pintura, se colocasse o escuro da sombra para tornar mais nítido o branco da luz.

A FRASE...

 

"A campanha interna do PSD dá sono e a continuar assim (Nuno Morais Sarmento tem razão) todos votarão António Costa".

 

Ana Sá Lopes, Sol, 16 de Dezembro de 2017

 

A ANÁLISE...

 

No teatro, o jogo de luzes é essencial para conduzir a atenção dos espectadores e sublinhar as intervenções dos artistas, mas as sombras também servem para movimentar os adereços sem interromper o desenvolvimento da peça. A política não é teatro, porque a peça nunca está escrita nem se sabe o que pode acontecer, e não é pintura, porque a realidade não é o efeito da habilidade do artista. Quando o poder se sustenta num apoio parlamentar incongruente, em que as diversas partes não se articulam nem encaixam, o que é importante não é o que se vê à luz das notícias, mas sim o que se esconde na sombra - até que a tragédia ilumine o que está na sombra. Quando o poder é numérico (no parlamento) mas não é estratégico (no exercício), pode durar, mas não governa - até que o que tem de esconder seja mais do que aquilo que a sombra pode ocultar.

 

É certo que Donald Trump está a ensaiar uma nova política com base no princípio de que se não houver verdade, todas as mentiras são permitidas, uma variante do princípio de que se não houver Deus, tudo é permitido (Nietzsche), mais sofisticada do a ideia de que uma mentira muitas vezes repetida passa a ser verdade (Goebbels). São tempos interessantes, mas que conduzem a situações em que é precisa muita sombra (para esconder) e pouca luz (para não se revelar o que se esconde).

 

O que se vê com a luz (ainda) acesa e com a verdade dos factos é que António Costa executa o programa da troika (que, aliás, contribuiu para negociar em 2011), e que esse programa foi tão bem-sucedido que hoje é um português que preside ao Eurogrupo, membro honorável da troika. O PSD serviu a troika, ganhou as eleições e perdeu o Governo. O PS tem o Governo e dá um ministro para um membro da troika. É nesta sombra que o PSD ficou ocultado.

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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Mr.Tuga 19.12.2017

Ironico....

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