André  Veríssimo
André Veríssimo 14 de junho de 2017 às 09:34

A "Macron-mania" e o Brexit com dor

A primeira volta das legislativas francesas não só confirmou como acentuou uma profunda transformação da paisagem política.

O partido República em Marcha de Macron arrasou com a direita e deixou o PS em cinzas. Com um senão: uma abstenção recorde a que a oposição já se agarra para travar a hegemonia do novo delfim de França.

"Emmanuel Macron venceu a sua aposta e esta manhã pôde observar as consequências de uma implosão tonitruante. Depois de umas presidenciais calamitosas, a direita sofreu uma nova derrota que hipoteca grandemente o seu futuro", escreve Paul-Henri du Limbert, no Le Figaro. "O PS? Vamos selar a pedra tumular no próximo domingo."

A abstenção. Nicolas Beytout põe, no L'Opinion, água fria no êxtase. "Nem os seus 24% da primeira volta da eleição presidencial, nem os 50% de abstenção deste domingo dão a ilusão de uma França convertida à 'Macron-mania'. O chefe do Estado poderá naturalmente estar satisfeito: em breve terá mão livre para agir e reformar o país. Mas atenção ao que quiseram dizer com o seu gesto todos os eleitores que preferiram ir à pesca em vez de defenderem as suas ideias: a renovação política está longe de estar conseguida."

Paul-Henri du Limbert deixa o aviso: "A Frente Nacional prosperou com os fracassos da direita e da esquerda. Se, reunindo uma e a outra, Emmanuel Macron também falhar, é fácil adivinhar quais as forças que então se meterão em marcha..."

A retumbante vitória de Macron nas legislativas é vista como um novo sopro de esperança na União Europeia. O francês consegue a maioria com que Theresa May sonhou. Gideon Rachman faz, no Financial Times, a leitura cruzada: "Macron precisa de mostrar aos eleitores franceses que deixar a UE só traz dor. Se, ao mesmo tempo, for capaz de reconstruir a parceria franco-germânica no coração da UE, poderá ser capaz de recuperar a popularidade do projecto europeu em França." Mais uma vez, seria bom que não falhasse.


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Anónimo Há 1 semana

Ora aí está uma situação, que em Portugal, era impossível acontecer, tendo em conta o eleitorado fidelíssimo aos 3 mais antigos partidos da nossa Democracia, independentemente de quem esteja à frente dos mesmos, o que nos torna imunes aos extremismos. É preciso que o tal cerca de 1.000.000 ...

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