Pedro Santana Lopes
Pedro Santana Lopes 06 de dezembro de 2017 às 21:47

A maior vitória

Um conhecido jornal espanhol pergunta, novamente esta semana, sobre o que tem a diplomacia portuguesa que as outras não têm. Com efeito, a eleição de Mário Centeno para a presidência do Eurogrupo, para além dos méritos do próprio, constitui mais uma vitória para a nossa estrutura diplomática.
O El País lembra as eleições de António Guterres e de Durão Barroso, a que se poderiam juntar outras. Lembremos a entrada de Portugal para o Conselho de Segurança, a escolha de Jorge Moreira da Silva e de Álvaro Santos Pereira para importantes cargos na OCDE, entre outras proezas em organizações internacionais. Ainda para mais, reconheça-se que não seria, à partida, uma solução óbvia dada a relação de forças entre os partidos políticos Europeus.

É verdade que desta vez tinha de ser um socialista porque os outros altos cargos na UE estão preenchidos por pessoas do PPE. Mas, mesmo assim, sendo o Governo de Portugal apoiado pela maioria parlamentar que se conhece, qualquer pessoa poderia duvidar do sucesso desta aposta. Muito de nós, porém, já não conseguimos ter muitas dúvidas, pelo contrário, quando uma hipótese destas se levanta tem de se admitir como provável o sucesso. É verdade que, recentemente, falhou a candidatura para a Agência Europeia do Medicamento. Mas esse processo nasceu torto e não estava em causa aí a escolha de uma pessoa.

A verdade é que os portugueses conseguem ter sucesso e destacar-se nas instâncias internacionais. Isso dá que pensar acerca, por um lado, da valia dos nossos agentes políticos e, num plano anterior sobre o nível do nosso sistema educativo. Com efeito, mesmo sendo a nossa diplomacia muito competente, certamente que não conseguiria todos estes sucessos se os candidatos não tivessem qualidade elevada. Pode-se gostar ou não de cada uma das individualidades portuguesas que têm ascendido a esses altos cargos, mas a verdade é que se impuseram e, no caso de Durão Barroso, foi mesmo escolhido para dois mandatos.

Resta agora saber como resolverá Mário Centeno a ‘vexata quaestio’: se será mais presidente do Eurogrupo ou mais ministro das Finanças. Já se sabe que para se ser presidente do Eurogrupo tem de se ser ministro das Finanças. Mas, como se compreenderá, haverá Estados que, pela sua realidade económica, precisem mais do que outros de um ministro das Finanças a tempo inteiro.

Há que felicitar Mário Centeno e o Governo a que pertence por este resultado, mas a justiça mais elementar manda recordar ter bem presente o trabalho tão relevante de Pedro Passos Coelho e dos seus dois Ministros das Finanças. Como dizem os espanhóis é o Eurofutebol, a Eurovisão e é a Zona Euro. Agora só falta convergirmos mesmo com a média europeia no rendimento per capita, e no nível da produtividade entre outros indicadores. Essa será a maior das vitórias. 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico