Edson Athayde
Edson Athayde 17 de abril de 2017 às 19:10

A mulher de César

O que mil jovens portugueses expulsos de um hotel na Espanha tem a ver com a lista de 187 políticos brasileiros enrolados num dos maiores escândalos de corrupção da história?

O que a "mãe de todas as bombas" lançada no Afeganistão tem a ver com os cânticos bizarros das claques das maiores equipas nacionais?

 

A última semana foi pródiga em acontecimentos merecedores de alguma atenção sob os pontos de vista do marketing e da comunicação. Parecem assuntos diversos, impossíveis de caber debaixo de um mesmo chapéu. Mas não é bem assim.

 

Se reparar bem os quatro temas referidos têm em comum uma mesma palavra: reputação (ou a construção/destruição dela).

 

Pela reputação fazem-se guerras, celebra-se a paz. Em nome da reputação as pessoas são capazes de tudo. O olhar do outro é o alimento que nos dá vida e o veneno que nos mata. A nossa reputação é sempre maior que nós mesmos.

 

A etimologia do termo é interessante. "Reputação" vem do latim "reputatio" que por sua vez vem do verbo "reputare" ("re", fazer outra vez; "putare", pensar, refletir, estimar o valor de algo).

 

Quando dizemos alguém é um reputado cientista é porque além de fazer bem ciência ele é famoso por isto. Um reputado idiota é mais do que um cretino, é um imbecil de dimensões bíblicas e notoriedade equivalente.

 

Os finalistas expulsos do hotel não têm idade para se preocuparem com a própria reputação. Porém, deixaram uma nódoa na reputação de Portugal. Não chega para desfazer, só para dar um exemplo de reputação positiva, tudo o que a imagem de Ronaldo projeta sobre nós, mas causa alguma mossa.

 

Trump quando lança aquela bomba quer vincar a sua imagem de governante beligerante e lembrar ao mundo que os EUA não são reputados imperialistas por acaso.

 

A alcateia de políticos corruptos brasileiros divulgada na lista da construtora Odebrecht (uma empresa que deveria pensar seriamente em mudar de nome; há casas de meninas cujos nomes geram mais confiança e têm melhor reputação) apenas reafirma a fama de Brasília como uma versão moderna e capitalista de Sodoma ou Gomorra.

 

Quanto às claques, parecem estar num campeonato próprio numa espécie de Liga dos Jumentos. Conseguiram até mesmo prejudicar a imagem dos clubes portugueses (e do país como um todo) lá fora ao cantarem piadolas sobre os mortos da Chapecoense.

 

Gerir reputações é um dos maiores desígnios atuais dos profissionais de comunicação. Até pela rapidez  com que a informação se dissemina pelas redes sociais, qualquer deslize pode ser fatal.

 

Que o diga a United Airlines. Mas isto pode ser assunto para um próximo texto.

 

Resta lembrar que "à mulher de César não basta ser honesta, precisa parecer honesta". Ou seja, a reputação vem antes até mesmo da verdade.

 

Ou como diria o meu Tio Olavo, a citar George Bernard Shaw: "A reputação de um médico se faz pelo número de pessoas famosas que morrem sob seus cuidados".

 

Publicitário e Storyteller

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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mais votado Anónimo Há 1 semana

Dijsselbloem diz-te a ti, à esquerda, ao sindicalismo marxista, ao kenesianismo despesista e ao capitalismo de compadrio que reina incólume em Portugal, e ainda mais no Brasil ou não fosse o Brasil um descendente de Portugal 100 vezes maior do que o seu criador, o que é a reputação... ou a falta dela.

comentários mais recentes
Anónimo Há 1 semana

A corrupção é a maior aliada do excedentarismo. Onde há uma, existe a outra. Ambas são duas faces da mesma moeda. Da má moeda chamada despesismo. A missão e propósito dos bons governantes, com ou sem a ajuda e orientação de técnicos e outros recursos do FMI, da UE e da OCDE, é criar condições para expulsar essa má moeda e não a deixar voltar a circular nas nossas economias e sociedades.

Anónimo Há 1 semana

O neoliberal mais votado esquece ou pretende fazer esquecer que a grande maioria dos corruptos condenados em Portugal é de direita... são factos não são fantasmas...

Anónimo Há 1 semana

Ortigao.sao.payo não generalizes. A escola pública pode ser boa se bem gerida pelo Estado. Se se souber adaptar à evolução dos tempos e dos mercados. Se se souber modernizar onde pode e deve modernizar e se souber despedir onde deve despedir, contratar na correcta medida quem deve contratar e com que objectivos e propósito. O problema central do sector público em Portugal é a adulação feita ao factor trabalho mesmo quando se deixa de justificar e o ódio ao factor capital mesmo que não haja justificação nenhuma para esse ódio. Onde não se pode despedir, onde não deixam desalocar e realocar convenientemente capital e factor trabalho de modo rápido, inteligente e descomplicado, nunca é possível obter boas e funcionais organizações dignas da realidade contemporânea do Primeiro Mundo em que apesar de tudo vivemos.

Ortigao.sao.payo Há 1 semana

A verdadeira quaudade da escola dito publica/estatal está aqui retratada no comportamentos dos seus resultados aqui retratados nos comportamentos responssvris (i) dos seus resultados ...

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