Jorge Marrão
Jorge Marrão 22 de Novembro de 2016 às 20:35

A necessidade da geringonça

As esquerdas esqueceram que as relações de produção e económicas determinam as relações políticas? Pode haver política soberana, sem soberania económica? Citar Marx numa coluna liberal é perjúrio. Este deve estar a dar voltas no túmulo.

O problema português não é de legislatura, nem é de ideologia, nem dos partidos "per si". É constitucional na substância e na forma. É um problema de restrições económicas e financeiras com consequências políticas e constitucionais. Os que nos trouxeram até aqui - as forças políticas que estiveram no poder nos últimos anos sabem-no - não podem ser os que nos vão tirar deste marasmo.

 

Da esquerda à direita da governação, o domínio dos magnânimos distributivistas (os políticos dos "aumentos" dos salários e pensões sem produtividade) é notório. O BE e o PCP reservam-se: não querem estar no Governo, ainda que o sustentem. Ameaçam com rua e redes sociais, temorizando os partidos da "normalidade" para a mudança exigida. Lutam para ver quem distribui mais, com muito pouco para distribuir.

 

Na Europa do euro, disciplinado por alemães e pelos seus amigos do Leste, acompanhados por franceses com o seu "grandeur" de planos, mas impregnados de rigidez económica, italianos endividados uns com os outros, espanhóis divididos pelas autonomias, ingleses impreparados para o divórcio, o preço da nossa marginalidade é elevado. Não o queremos suportar, aspirámos ao seu benefício, mas fugimos da mudança necessária para sermos campeões no clube dos ricos. Preferimos alterar as regras do jogo quanto perdemos, e manter quando ganhámos.

 

Os cidadãos europeus não querem arcar com a irresponsabilidade do imobilismo dos regimes políticos que geraram estas elevadas dívidas pública e privada. Não temos partidos que defendam convictamente que a sua função política é a diminuição sustentada do endividamento do país. Esta pode ser conseguida por venda dos ativos - uma realidade incontornável - por oposição ao aperto orçamental de todos.

 

Refugiam-se num crescimento económico, ancorado em criar mais dívida. Terminada a venda de ativos mais atrativos, resta-nos o sebastianismo europeu: "Eles vão compreender que não conseguimos pagar a dívida." Os credores sabem-no tão bem como nós. Não aceitam os partidos que se sustentam com o incumprimento real ou escamoteado.

 

Os silêncios táticos dos sindicatos da função pública e do setor privado são o reflexo da ambivalência política. Se é verdade que a longo prazo estamos todos mortos, este regime político também o está. Sabemos que irá morrer, não sabemos é o dia e a hora. Adia o óbvio, para adiar a sua queda. A coligação política que sustenta a atual legislatura faz parte naturalmente dessa mudança. Sem ela não poderia haver mudança. Talvez assim se prove a impossibilidade do regime.

 

Gestor

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico 

A sua opinião6
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
jose Há 2 semanas

Verdades. Há os partidos da Dívida, que são todos. Não percebem que enquanto houver excesso de endividamento, haverá liberdades diminuídas. É verdade. Custa a ler, mas é verdade.

Anónimo Há 2 semanas

O autor introduz um novo eufemismo partidos da "normalidade". O surpreso não quer uma democracia parlamentar devem querer a "normalidade democrática" que lhes convém... mas essa "anormalidade" mostrou o que vale em 4 anos de austeridade inútil...

Ventura Santos Há 2 semanas

E tu quando é que morres ? Estou farto de escribas que só se contentam quando recebem milhares de euros e quando a malta recebe mais vinte euros ficam logo com inveja !

Anónimo Há 2 semanas


Os ladrões de esquerda

A MALTA DA ESQUERDA É COMPOSTA POR DOIS GRUPOS:

1 - Os LADRÕES (Inclui os FP e seus pensionistas): que andam a encher os bolsos à custa dos portugueses;

2 - Os BURROS: que ajudam os anteriores a roubar o povo, em nome da ideologia.

ver mais comentários