José M. Brandão de Brito
José M. Brandão de Brito 09 de outubro de 2017 às 20:10

A reforma fiscal de Trump… e a ideal

Na realidade, se Trump abdicasse de cortar os impostos aos muito ricos e às multinacionais americanas, poderia usar esses recursos para efetuar uma redução expressiva da TSU, com enormes benefícios para a economia e para o emprego.

A FRASE...

 

"(…) Os maiores beneficiários [da proposta de reforma fiscal do Presidente Trump] seriam os 1% mais ricos, cujo rendimento líquido aumentaria 8%."

 

Tax Policy Centre, 29 setembro de 2017

 

A ANÁLISE...

 

Se existe grupo de apoiantes de Donald Trump bem identificado é a classe média que vive entre as duas costas. Não obstante, a proposta de reforma fiscal apresentada pela Casa Branca consiste num corte significativo dos impostos para as empresas e para os particulares mais ricos. Daí que esta iniciativa legislativa mais pareça um tiro no pé do que o grande feito político que o Presidente afirma estar na calha. Por duas razões.

 

Primeiro, Trump deveria saber que na era do populismo se deve evitar políticas que cavem ainda mais fundo o fosso da desigualdade entre os muito ricos e os outros - sobretudo quando foram estes últimos que o elegeram.

 

Segundo, alguém deveria ter esclarecido o Presidente que, na era da globalização, reduções na taxa de IRC são mais eficazes a atrair sedes de empresas multinacionais - que estão constantemente a fazer arbitragem fiscal - do que a atrair unidades produtivas. Daí que a garantia de Trump que a sua reforma fiscal irá trazer unidades fabris de volta aos EUA e, por essa via criar empregos na sua base social de apoio, é um logro.

 

Significa isto que é inútil baixar impostos? Claro que não, mas num contexto de restrições orçamentais, como é o caso da maioria dos países desenvolvidos, é crucial descortinar-se a forma mais eficiente de o fazer. Se o objetivo de Trump é aumentar a competitividade externa e promover o emprego, o Presidente deveria reduzir o equivalente americano da TSU, o que permitiria estreitar o diferencial do custo salarial dos trabalhadores dos EUA - face, por exemplo, aos mexicanos - e dessa forma atrair capital produtivo para dentro das suas fronteiras.

 

Na realidade, se Trump abdicasse de cortar os impostos aos muito ricos e às multinacionais americanas, poderia usar esses recursos para efetuar uma redução expressiva da TSU, com enormes benefícios para a economia e para o emprego. Isso, sim, seria histórico, além de muito ajudar a trazer à tona uma presidência cada vez mais atolada no pântano que Trump jurou drenar.

 

Artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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