Jorge Marrão
Jorge Marrão 20 de julho de 2017 às 00:01

A relevância da selecção

Estamos sem rumo nas instituições de poder. É preciso que nos surja outro problema ainda maior que a bancarrota para que se definam as novas águas que vamos navegar.

A FRASE...

 

"AR levanta imunidade de deputado do PSD que foi ao Euro a convite da Galp"

 

Negócios, 19 de Julho de 2017

 

A ANÁLISE...

 

A frequência e as temáticas escolhidas pelos órgãos de comunicação social para relatar o País leva-nos a concluir que não há sociedade para além do Estado. A agenda mediática é a do Ministério Público, dos órgãos de soberania e das tricas com a oposição, apresentada em forma de erros ou falhas do Estado, do Governo e ou da sociedade civil, com suspeições sobre tudo e todos, levando a um descrédito generalizado das instituições e dos indivíduos. Não se conclui nada sobre nada, não temos responsáveis, mas suspeitos de responsabilidade. Todos marinam em banho-maria nos media, reduzindo-se assim a liberdade do indivíduo pela suspeição de arguido ou com possibilidades de vir a ser, ou por práticas éticas supostamente questionáveis. Na prática, não conseguimos identificar os culpados de tudo isto, mas suspeitar de todos eles.

 

Sabemos que a atuação de alguns agentes políticos é feita para esconder os problemas do passado, mas as instituições democráticas são incapazes de os identificar e de apontar responsáveis. A contrapartida é a emergência de moralistas nas redes sociais que apontam, acusam e concluem sem provas de nada, a não ser com base nas cirúrgicas notícias plantadas pelo totalitarismo mediático do Ministério Público, Estado, Governo, Parlamento e Reguladores que tornam as instituições e os seus responsáveis direta ou indiretamente os culpados de tudo isto. A defesa à esquerda ou direita apenas depende se o visado tem a simpatia política de esquerda e ou direita. A fissura na sociedade agrava-se: o que não é partidário, mas político, passa a partidário, sem debate sobre o mérito substancial dos argumentos.

 

Estamos sem rumo nas instituições de poder. É preciso que nos surja outro problema ainda maior que a bancarrota para que se definam as novas águas que vamos navegar. Até lá, as viagens da seleção de futebol só podem ser um tema relevante da comunidade.

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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Desanimado Há 4 semanas

Ó marreta marrão e que tal uma bomba atómica. Como de costume, estás a falar de um problema maior para os outros, não é marreta, porque, por muito grande que seja o problema, tu e os outros marretas estão sempre no quentinho não é jorginho.