Jorge Marrão
Jorge Marrão 10 de janeiro de 2018 às 20:14

A ressaca da troika

A troika despiu o país, destapou as nossas fragilidades, e as dos agentes económicos individualmente. Revelou também o modelo de influência entre os interesses políticos eleitorais, os da manutenção do poder e os da economia empresarial.

A FRASE...

 

"Qualquer dia somos uma economia" com "estatuto quase colonial".

 

Vítor Bento, Negócios, 7 de Janeiro de 2018

 

A ANÁLISE...

 

A corrupção público-privada seria assim um mal menor. Desafortunadamente aqueles empresários, e os das pseudo-empresas pensadas centralmente pelo Estado, para reforçar a estratégia de soberania nacional, e os seus acólitos, que justificavam através de teorias económicas a manus estatal de incentivos assistiram, em geral, à falência das mesmas, com evidentes reflexos na economia dos bancos.

 

O economista americano Bradford DeLong no seu livro "The End of Influence - What happens when other Countries Have the Money" ("O que acontece quando os outros é que têm o dinheiro") introduz o problema de forma simples: quando o Governo chinês detém aproximadamente 2,5 triliões de reservas externas que representam 70% das obrigações do Tesouro americanas (20.000 dólares por cidadão), verba dificilmente pagável a curto prazo, obriga os chineses a saberem que não podem perdoar a dívida, pois isso representaria 50% do seu PIB. Ou seja, o produtor, o consumidor, o devedor e o credor sabem que estão co-dependentes.

 

A questão em Portugal, agora que sabemos da existência de um buraco - isto quando os outros é que têm o dinheiro -, seria debater e saber como é que as posições de poder e influência estão a ser ocupadas. Uma AutoEuropa, uma AutoÁsia ou uma AutoAmérica ou os novos representantes do capital externo têm diferentes consequências. A verdadeira estratégia nacional é a da ocupação do poder. Ao invés disso, os candidatos à liderança do maior partido da oposição enfrentam-se pelas suas personalidades, e não pela visão que têm sobre estas matérias. Percebemos assim a falta de entusiasmo do país, e quem afinal vai sair perdedor. 

 

Artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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mais votado Anónimo 11.01.2018

Nos países que criam condições para se investir, inovar e empreender, onde se faz boa gestão de recursos humanos e o mercado laboral é flexível ao mesmo tempo que o de capitais é forte e desenvolvido, as taxas de juro para muitos prazos são desde há muito negativas ou próximas de zero.

comentários mais recentes
Mr.Tuga 11.01.2018

Exacto.

Anónimo 11.01.2018

Em comparação com Marcelo e o seu governo das esquerdas unidas, Obama foi um fanático ultra neoliberal: "Job shifts under Obama: Fewer government workers, more caregivers, servers and temps" www.pewresearch.org/fact-tank/2015/01/14/job-shifts-under-obama-fewer-government-workers-more-caregivers-servers-and-temps/ Os norte americanos podem dizer: "Obrigado Obama", do mesmo modo que os portugueses podem dizer: "Obrigado troika".

Anónimo 11.01.2018

Obrigado troika. A purga resultou. Pena é a reversão de políticas ser tão evidente.

Anónimo 11.01.2018

Nos países que criam condições para se investir, inovar e empreender, onde se faz boa gestão de recursos humanos e o mercado laboral é flexível ao mesmo tempo que o de capitais é forte e desenvolvido, as taxas de juro para muitos prazos são desde há muito negativas ou próximas de zero.

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