Fernando  Sobral
Fernando Sobral 16 de agosto de 2017 às 09:48

A retórica de Trump e o adeus de Usain Bolt

Todos pedem a Donald Trump para acalmar as suas reacções. Xi Jinping já lhe pediu para moderar as suas palavras sobre a Coreia do Norte.

Os mercados também agradeciam uma acalmia na retórica bélica. Mas foi a falta de palavras firmes sobre os distúrbios de Charlottesville, na Virgínia, que causaram vítimas mortais, que originam agora crítica ao Presidente. Trump criticou a "violência de todo o tipo" e não a da extrema-direita racista, que causou os mortos. As críticas vieram do próprio Partido Republicano, cada vez mais nervoso com o que se passa na Casa Branca. Marco Rubio veio dizer que Trump precisa de actuar mais decisivamente num caso como este e escreveu no Twitter: "Não há nada patriótico no KKK, nos nazis e nos supremacistas brancos. É o oposto do que a América quer ser." Outros senadores republicanos também mostraram o seu descontentamento com Trump, como fez Orrin Hatch: "Devemos chamar o diabo pelo seu nome. O meu irmão não deu a sua vida a combater Hitler para que agora as ideias nazis surjam sem desafio aqui em casa." Recorde-se que Richard Spencer, o pai do conceito de "alt-right" (direita alternativa), qualificou em Novembro de "despertar" a vitória de Trump.

No meio de tudo isto Anthony Scaramucci, destituído de director de comunicação da Casa Branca apenas 10 dias depois de ter sido nomeado, disse à ABC que Trump precisa de uma equipa mais "leal". "O que se passa em Washington é que o Presidente não representa o 'establishment' político e por qualquer razão as pessoas da Casa Branca tomaram a decisão de expulsá-lo", disse. Em matéria de despedidas, Usain Bolt disse adeus nos Mundiais de Londres, com uma lesão na última prova. Mas já garantiu: "Não vou regressar. Vi demasiados desportistas a envergonhar-se a si mesmos. Não serei um deles." E acrescentou: "Penso que este Mundial não mudará a minha carreira. Alguém me disse depois de perder os 100 metros que Muhammad Ali perdeu o seu último combate e ninguém se lembra." É verdade.


A sua opinião0
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar