Fernando  Sobral
Fernando Sobral 13 de Janeiro de 2017 às 09:32

A Rússia é o fantasma dos EUA. E vai continuar a sê-lo

Barack Obama despediu-se com um discurso como só ele sabe fazer. Donald Trump deu a sua primeira conferência de imprensa, dando um sinal daquilo que vamos ver.

Pelo meio dos dossiês sobre o "envolvimento" russo nas eleições presidenciais americanas, Vladimir Putin é o tema do momento na América. Vamos ter uma nova Guerra Fria? No Senado, Marco Rubio apertou a sério Rex Tillerson, na audiência para a nomeação deste para secretário de Estado, por causa das suas alegadas ligações à Rússia. O diálogo foi tenso. Na conferência de imprensa, Trump já foi dizendo que talvez a Rússia tenha feito intromissões informáticas. Promete. No Washington Post, E. J. Dionne Jr. escreve: "O senador Ben Cardin usou um dos mais velhos ditados da política para falar da nova era Trump. 'Não pode ser negócio como sempre', disse Cardin. Ele estava sobretudo a falar da Rússia. Debaixo do 45.º Presidente, não pode ser negócio como sempre para os media, para o Congresso ou para qualquer cidadão que valoriza as nossas liberdades. Nós estamos numa muito perigosa cavalgada nacional."

No El Mundo, Antonio Lucas é sensível ao mesmo tema: "(Trump), em pouco mais de meia hora como Presidente eleito dos EUA desafiou a Rússia e a China. Desvalorizou os mexicanos. (…) Este homem é demasiado vulgar e talvez por isso acumula tanto perigo". Thomas L. Freidman, no New York Times, faz uma análise mais vasta: "No Inverno de 2016, o mundo atingiu um ponto de viragem revelado pela mais invulgar colecção de actores: Vladimir Putin, Jeff Bezos, Donald Trump, Mark Zuckerberg e os supermercados Macy's. (…) Foi o momento em que percebemos que uma massa crítica das nossas vidas e trabalho se moveu do mundo terrestre para um domínio conhecido como ciberespaço. Ou seja, uma massa crítica das nossas interacções moveu-se para um domínio onde estamos todos conectados, mas não há ninguém a mandar." Será mesmo isso?



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