Fernando  Sobral
Fernando Sobral 01 de agosto de 2017 às 09:51

A Rússia, os EUA e os interesses europeus

A guerra fria entre Estados Unidos e Rússia está relançada. E, no meio, a União Europeia vai ter de se decidir.

As sanções económicas americanas contra Moscovo já motivaram retaliações. Vladimir Putin já anunciou que vai expulsar 755 diplomatas americanos da Rússia até final de Agosto. Ninguém sabe ao certo quantos americanos estão colocados na Rússia em funções destas, mas presume-se que serão mais de 1.000. Putin foi claro: "Decidi que era a altura de mostrarmos que não deixamos nada sem resposta. (…) Esperámos durante algum tempo que algo mudasse para melhor, que a situação mudasse. Mas parece que nada irá mudar num futuro próximo."

Na Asia Times, o artigo de David P. Goldman explica quase tudo: "Não foi o proteccionista Donald Trump, mas foi a ala 'comércio livre' do Partido Republicano que atirou os EUA para uma guerra comercial que só pode perder. As novas sanções contra a Rússia vão forçar a Europa a uma aliança de facto com a Rússia contra os EUA e, por acréscimo, também com a China. É o acto económico mais estúpido e autodestrutivo desde que os EUA desligaram o dólar do ouro em 15 de Agosto de 1971 e terá consequências devastadoras. (…) As sanções, na sua presente fórmula, permitem aos EUA impor pesadas multas às empresas europeias envolvidas em projectos de infra-estrutura com a Rússia e ameaça muitos grandes projectos em curso , incluindo o pipeline Nord Stream II, o projecto de gás natural líquido do Báltico e o projecto Blue Stream entre Rússia e Turquia." Falando de dinheiro, o primeiro-ministro do Luxemburgo, Xavier Bettel, disse: "É tempo de a UE fazer uma analogia com a famosa frase da senhora Thatcher: queremos o nosso dinheiro de volta. O valor é entre 36 e 54 mil milhões de libras." O Brexit começa mesmo a causar problemas. E para o Reino Unido parece que é agora que eles vão mesmo começar.


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