Paulo Carmona
Paulo Carmona 17 de maio de 2017 às 20:13

A sorte protege os audazes

A sorte protege os audazes e o PM foi audaz quando montou esta estrutura de Governo. Depois era controlar bem o défice, por causa da Europa, e esperar por um sopro para o crescimento, que veio, embora para já conjuntural.

A FRASE...

 

"Os números agora conhecidos, desmentindo profecias dos que não se conformam com a derrota do governo anterior e da sua política, devem, entretanto, ser lidos com a prudência que resulta de uma conjuntura internacional favorável."

 

PCP, Lusa, 15 de maio de 2017

 

A ANÁLISE...

 

Sem dúvida de que o crescimento registado tem de ser lido, conforme refere o PCP, com a prudência que resulta de uma conjuntura económica favorável. Portugal, como uma pequena economia aberta, está muito exposto aos choques externos positivos ou negativos.

 

Felizmente para a economia os choques têm sido positivos. O turismo explodiu em Portugal, porque a instabilidade e o terrorismo trouxeram mais pessoas para Portugal e a oportunidade para descobrirem este belo país que aproveitaram para divulgar. Os efeitos secundários no emprego, embora precário e de empresário individual de tuk-tuk, e na construção e renovação das casas e apartamentos vendidos para o turismo, fizeram o resto. O grande mérito dos governos nessas alturas é nada fazer para não estragar ou divulgar um ar bonacheirão como o do PM atual.

 

A sorte protege os audazes e o PM foi audaz quando montou esta estrutura de Governo. Depois era controlar bem o défice, por causa da Europa, e esperar por um sopro para o crescimento, que veio, embora para já conjuntural. O controlo do défice foi bem pior porque foi efetuado através dum corte cego em cativações que põem em causa o regular funcionamento dos hospitais e a manutenção de estradas e comboios. Ou seja, o crescimento veio com a sorte do turismo e o défice com uma ameaça ao Estado Social, mas vieram… mesmo que o golo tenha sido marcado com as costas, foi golo.

 

Resta ao Governo aproveitar para repor alguns dos cortes perigosos no investimento público, utilizados para pagar salários e novas contratações na função pública, um preço muito alto a pagar à base de apoio do Governo. E ter muita prudência. Porque o crescimento económico dos nossos parceiros da Zona Euro, que nos ajudaram nas exportações, carrega em si um mal para uma economia altamente endividada, pode trazer consigo inflação e uma consequente subida dos juros. A inflação da Zona Euro está teimosamente acima de 1%, 1,2% o último registo ex-energia, e o BCE poderá ter de alterar a sua política mais perto do final do ano. Ou talvez não. A sorte de Costa é a nossa sorte…

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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comentários mais recentes
Anónimo 03.07.2017

A tx juro o petroleo as exportacoes (Turismo conta 50% ), a conjuntura europeia, o Investimento(5000milhoes, mt a fundo perdido) sao as explicacões para a realidade actual. O Gov. apostou no consumo e errou claramente.Serviu sim para aumentar as importaçoes. Nao há merito algum deste goveno. Sorte!

Anónimo 18.05.2017

O vento tem soprado a favor para raiva da oposição. Contudo, existem reformas estruturais por fazer e a divida pública não pára de aumentar!. O tema corrupção ficou na gaveta!! o que não atrai investimento estrangeiro, que recua perante a burocracia administrativa e a justiça tardia e ineficaz.

Mr.Tuga 18.05.2017

Certo!
Bem resumido!