René Bohnsack
René Bohnsack 30 de julho de 2017 às 18:20

A transformação dos modelos de negócio e a internacionalização

No futuro, a vantagem competitiva das empresas será digital e "mobile", em vez da presença física associada a uma localização específica. Com isto, as empresas irão enfrentar mais competição a nível internacional devido à transferibilidade dos ativos digitais.

A internacionalização é um dos processos mais difíceis que um gestor pode enfrentar na sua vida profissional. Perceber em que geografia atuar, qual a estratégia de entrada no mercado a implementar e qual o melhor "timing" para o fazer são desafios com os quais as empresas têm de saber lidar para enfrentarem a chamada "responsabilidade do desconhecido". Qual é o problema aqui? O problema será a constituição legal de uma empresa no estrangeiro, que muda muito, assim como a sua cultura empresarial. Felizmente, os negócios internacionais fazem grande pesquisa sobre o assunto, o que lhes permite compreender como gerir as diferenças e como as empresas se podem internacionalizar com sucesso. 

 

Ainda assim, com a Internet das Coisas, o "big data" e a transformação digital, há uma mudança importante a acontecer. Indústrias que até agora estavam focadas sobretudo no mercado nacional estão a enfrentar uma profunda alteração devido à internacionalização. Por exemplo, a agricultura, os transportes ou o sector da energia estiveram até agora focados no mercado nacional mas, neste momento, enfrentam uma competição internacional cada vez maior. A transformação digital está a acabar com anteriores vantagens competitivas de estar presente fisicamente, substituindo-as por vantagens digitais que a qualquer momento podem ser internacionalizadas. Um dos exemplos é a indústria do táxi, que sempre foi bastante nacional, mas que enfrenta agora competição internacional com o surgimento de plataformas digitais como a Uber.

 

No futuro, a vantagem competitiva das empresas será digital e "mobile", em vez da presença física associada a uma localização específica. Com isto, as empresas irão enfrentar mais competição a nível internacional devido à transferibilidade dos ativos digitais. Isto significa que as empresas têm três opções: não agir e provavelmente desaparecer do mercado a certo ponto, defenderem-se de intrusos digitais e adaptarem-se ou digitalizarem as suas vantagens competitivas e internacionalizarem o seu negócio.

 

Esta tendência reflete-se no aumento da investigação para compreender como os modelos de negócio podem ser internacionalizados. Como podem as empresas adaptar os seus modelos de negócio a nível internacional?

 

Para responder a esta questão, no "Smart City Innovation Lab" da Católica-Lisbon definimos os incentivos e as barreiras à internacionalização do modelo de negócio usando como exemplo as empresas de energia europeias no contexto do projeto inteGRIDy. Esta indústria está normalmente confinada a território nacional, mas, com novas tecnologias tais como os painéis solares, a vantagem competitiva está a tornar-se cada vez mais digital, o que irá levar a uma crescente internacionalização. Os três resultados que sobressaem do estudo são:

 

1. As empresas subestimam constantemente a complexidade dos mercados estrangeiros e o que necessitam para adaptar os seus modelos de negócio ao processo de internacionalização;

 

2. Confirmámos que o processo de internacionalização não pode ser bem-sucedido se o modelo de negócio não estiver alinhado com o mercado em que o pretendemos implementar. Desta forma, desenvolvemos uma base de modelo de negócio no qual as empresas podem alinhar o seu modelo com as condições e a infraestrutura de mercados estrangeiros. Este modelo estará disponível em breve no nosso "website";

 

3. Por último, concluímos que as empresas que têm sucesso internacional usam diferentes estratégias de adaptação, nomeadamente adaptando a sua proposta de valor e investindo em estudos de mercado que lhes permitem estabelecer um modelo de custo-benefício. 

 

Em suma, a transformação digital está a afetar cada vez mais indústrias, incluindo aquelas que se pensavam protegidas pelas fronteiras físicas. Se pretendem ser proativos e internacionalizar, então sugerimos que alinhem o modelo de negócio de forma cuidadosa para o mercado internacional - caso contrário, a concorrência poderá fazê-lo.

 

Director Smart City Innovation Lab at Catolica-Lisbon and Assistant Professor of The Lisbon MBA

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico 

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