Jorge Fonseca de Almeida
Jorge Fonseca de Almeida 08 de Novembro de 2016 às 20:20

A vaga dos algoritmos

Uma nova e poderosa onda está a varrer a economia mundial com amplos ganhos de produtividade e de eficiência na tomada de decisão e na precisão da execução.

Uma onda de empresas baseadas em algoritmos está a crescer de forma imparável e vai moldar o desenvolvimento económico nas próximas décadas.

 

Capitalizando nas gigantescas capacidades de cálculo e na extraordinária rapidez de processamento dos computadores atuais é possível analisar uma grande massa de dados e dela extrair a informação necessária para a tomada de decisão, ela própria executada por algoritmos sofisticados.

 

Um algoritmo é uma sequência de passos. Um bom exemplo de algoritmo é uma receita culinária em que os ingredientes devem passar por um conjunto de operações, cortar, descascar, lavar, juntar, cozer, fritar, etc., numa ordem precisa e conhecida. Um algoritmo matemático é semelhante, é um conjunto de operações matemáticas, somar, multiplicar, dividir, potenciar, comparar, repetir, etc., que deve ser efetuado de forma sequencial.

 

Os algoritmos matemáticos são usados para prever tendências, identificar padrões e, posteriormente, informar ou decidir e executar determinada ação.

 

A negociação bolsista dos grandes investidores, seguradoras, fundos de investimento, bancos de investimento, é já assegurada por robôs, i.e. por programas informáticos que com base em algoritmos específicos seguem as cotações e decidem o que comprar e o que vender. Muito mais rápidos do que os antigos corretores ou analistas conseguem desempenhos de muito maior qualidade. São infalíveis? Com certeza que não. Mas são mais rápidos e menos falíveis do que os melhores humanos.

 

Mas noutros campos a utilização de fórmulas matemáticas está a entrar em força. Veja-se o caso da Uber. Analisa ao segundo a procura e a oferta para cada zona de uma cidade e em função destas estabelece o preço de cada corrida. Excessivo? Sem dúvida. Pode ser regulamentado? Certamente.

 

A matemática era já utilizada no planeamento macroeconómico e na gestão da política monetária baseada na recolha e coleção de estatísticas sobre diversas variáveis. Hoje é possível recolher dados mais rapidamente e desenhar modelos que permitam uma pilotagem praticamente diária.

 

Para serem competitivas, as empresas deverão desenvolver os algoritmos mais adequados ao seu negócio, testá-los, aplicá-los e continuar a ajustá-los à realidade sempre em movimento.

 

A generalidade das empresas portuguesas ainda não utiliza algoritmos matemáticos de forma sistemática e consciente na sua atividade.

 

Uma das causas pouco conhecidas da crise do crédito malparado em Portugal, que tantos bancos já vitimou, é a inadequação dos modelos matemáticos de decisão de crédito usados pelos bancos portugueses, modelos comprados no estrangeiro e pouco adequados à realidade portuguesa, usados. Esse problema ainda não está satisfatoriamente resolvido.

 

A generalidade das empresas portuguesas não está dotada dos gestores e matemáticos que possam desenhar ou implementar tais algoritmos. Estamos a ficar para trás. Em contrapartida deixamos sair do país os melhores cérebros que podiam estar a trabalhar nesta área. É a hora de agir.

 

Economista

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

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Anónimo Há 3 semanas

Sim. Tudo parece igual, como prodigioso. Mas repare: nem as sopas são dessaborosas como a "bolsa" deu prova das tais propriedades miraculosas dos tais algoritmos visionários.