Fernando  Sobral
Fernando Sobral 17 de Outubro de 2016 às 20:15

A difícil sucessão do rei Bhumibol

A morte do rei Bhumibol deixou a Tailândia, governada na realidade pelos militares que afastaram a família Shinawatra do poder, à espera do seu futuro. O futuro rei é uma incógnita.

O rei da Tailândia, Bhumibol Adulyadej, que agora faleceu aos 88 anos, era mais do que reverenciado: era adorado. A sua imagem estava em quase todos os locais e casas do país que reinou durante sete décadas. Durante esses anos teve de ser a ponte entre diferentes interesses, conseguindo de alguma maneira preservar o potencial económico da Tailândia (do agrícola ao turístico) no meio de uma cíclica agitação política. Afinal, em 80 anos, a Tailândia teve 19 Constituições e 19 golpes de Estado. O que é espantoso, tendo em consideração que a Tailândia foi um dos poucos países do Sudoeste Asiático que escapou à gula colonial das potências ocidentais nos últimos séculos. O orgulho thai encontrou no rei Bhumibol um intérprete quase perfeito, tentando sempre preservar a independência do país num continente conturbado. A sua morte deixa agora mais expostos os dirigentes militares que governam, de facto, a Tailândia. 


Hoje, a Tailândia está profundamente dividida entre as áreas urbanas e rurais, com uma sólida classe média fruto da segunda economia do Sudoeste Asiático, apesar dos recentes problemas e de uma elite que não está disposta a abdicar dos seus privilégios. Há, segundo alguns observadores, um problema: o herdeiro (e único filho homem) do rei Bhumibol, Vajiralongkorn, de 64 anos, não goza do prestígio do pai. Segundo o primeiro-ministro tailandês, o general Prayuth Chan-ocha, o príncipe pediu algum tempo para assumir o trono.

 

Apesar do soberano tailandês não exercer funções políticas, o seu papel de moderação é reconhecido. Assim não se sabe o que o futuro Rama X fará. Alguns preferiam que o poder tivesse ido para a irmã de Vajiralongkorn, a princesa Maha Chakri Sirindhorn. Mas uma das questões centrais é que força ganhará a família do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, um magnata das telecomunicações hoje no exílio, que entrou em conflito com a elite do país e que acabou afastado, tal como a sua irmã Yingluck, afastada pelos militares há dois anos.

A complexidade política e social tailandesa é tão densa que se torna extremamente difícil adivinhar o que poderá ser o futuro deste grandioso país com o qual os portugueses têm uma ligação muito forte há centenas de anos. A embaixada de Portugal em Banguecoque, imponente, é um símbolo de uma relação que muitas vezes tem sido esquecida em Lisboa. E que poderia ser determinante na ligação de Portugal com a Ásia.

 

Iniciativa: Fórum do Livro de Macau em Lisboa avança para a semana

 

Vai realizar-se, entre 24 de Outubro e 3 de Novembro, o Fórum do Livro de Macau em Lisboa. Com o apoio de diferentes entidades como a Delegação Económica e Comercial de Macau, e com a coordenação de um jornalista e editor há muito residente no território, Rogério Beltrão Coelho, o fórum pretende ser uma ponte para um conhecimento maior do que se escreve sobre e em Macau. Porque continua a existir um forte desconhecimento sobre a actividade cultural que tem como centro nevrálgico o antigo território sobre administração portuguesa e hoje uma Região Administrativa Especial da China.

 

O fórum é inaugurado no dia 24 de Outubro com a Grande Feira do Livro de Macau em Lisboa (com editoras de Macau e de Portugal) na Livraria do Turismo de Macau na Delegação Económica e Comercial de Macau em Lisboa. Nesse mesmo dia a partir das 18:30 no Centro Científico e Cultural de Macau, decorrerão duas conferências: "Macau: livros e leituras. Séc. XVI e XVII", pelo professor Luís Filipe Barreto, presidente do CCCM e "O Delta Literário de Macau", pelo professor José Carlos Seabra Pereira. No dia 25, às 18:00, na Delegação Económica e Comercial de Macau haverá uma mesa-redonda acerca dos livros sobre Macau publicados em Portugal, moderada pela Dra. Margarida Duarte. Destaque também no dia 27 às 18:00 para a conferência sobre os marinheiros que escreveram sobre Macau, por Alfredo Gomes Dias, no Clube Militar Naval e no dia 28 de Outubro sobre o panorama da actual literatura chinesa em Macau, pela professora Han Li Li. No dia 3 de Novembro haverá uma evocação de Maria Ondina Braga, numa sessão orientada por José António Barreiros, na Biblioteca Nacional de Portugal.

 

Macau: BIC quer entrar

 

O BIC pretende abrir uma sucursal ou criar um banco de direito local em Macau, no curto a médio prazo, estando a fazer contactos nesse sentido, disse em Macau o presidente da instituição, Fernando Teles. O presidente do banco, que se deslocou a Macau para participar na Conferência de Empresários e Quadros da Área Financeira da China e da CPLP, disse fazer todo o sentido dispor de uma presença física em Macau, atendendo ao papel de plataforma que o território desempenha no relacionamento entre a China e os países de língua portuguesa.

 

Timor-Leste: pesca chinesa

 

Timor-Leste deverá vir a conceder uma licença de pesca nas suas águas territoriais à empresa de Zhoushan Ningtai Ocean Fisheries Co., na sequência do apoio prestado pelos quadros e serviços profissionais bilingues da Plataforma de Macau, informou o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM). A Zhoushan Ningtai pretende iniciar este projecto que funcionará como um "trampolim", para mais tarde alargar a cooperação com as entidades de Timor-Leste à aquacultura e outras indústrias.

 

Iémen: em busca de tréguas

 

O enviado da ONU para o Iémen, os EUA e a Grã-Bretanha pediram às diferentes envolvidas na guerra civil que tem passado um pouco despercebida no Ocidente para declararem um cessar-fogo. O enviado da ONU, Ismail Ouid Cheikh Ahmed, disse ter estado em contacto com os responsáveis dos houthis e com o Presidente iemenita Abedrabbo Mansour Hadi. Já John Kerry disse que os diplomatas estão a operar "num vácuo", depois de encontros em Londres onde estiveram representantes da Grã-Bretanha, da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos. O governo de Hadi, apoiado pela Arábia Saudita e os rebeldes houthis, apoiados pelo Irão, têm combatido sem tréguas nos últimos meses.

 

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