Camilo Lourenço
A Espanha está a pedi-las. Está, está
16 Maio 2012, 23:30 por Camilo Lourenço | camilolourenco@gmail.com
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Mariano Rajoy conseguiu já coleccionar, no pouco tempo que leva de governo, um impressionante rol de disparates.
Mariano Rajoy conseguiu já coleccionar, no pouco tempo que leva de governo, um impressionante rol de disparates. Primeiro, foi a Bruxelas dizer que não ia respeitar o défice orçamental de 2012… sem "negociar" primeiro com a Comissão (e proclamando a rebelião em público). Depois, deixou que o ministro da Economia e o das Finanças andassem semanas a fio a dizer coisas diferentes. Sobre os mesmos assuntos.

O mais recente episódio deste rol de desacertos aconteceu a propósito da banca: o Governo de Rajoy exigiu que os bancos arranjassem mais 28 mil milhões de euros para reforçar os seus balanços (a terceira "reforma" em dois anos). Qualquer governante com dois dedos de testa, antes de falar sobre a banca, teria pensado: "Desta vez é melhor acertarmos; senão lá se vai a credibilidade". A avaliar pela reacção dos mercados, parece que Rajoy desperdiçou mais uma oportunidade…

O que é estranho neste processo é que nem o Governo espanhol, nem a Comissão parecem ter aprendido alguma coisa com o passado recente: o que está a acontecer é tirado a papel químico do caso irlandês (também na banca), que acabou num "bail-out". Ou seja, de anúncio em anúncio vai-se acentuando a descredibilização do Governo espanhol. Descredibilização que, mais dia menos dia, passará da banca para o próprio Estado.

É por isso que não se percebe porque a Comissão e Angela Merkel não deram ainda um valente murro na mesa. É que se a arraia miúda, como a Grécia, está a fazer tremer todo o edifício do Euro, imagine-se se a Espanha fica sem acesso aos mercados (ontem os spreads das obrigações espanholas passaram os 500 pontos base perante as obrigações alemãs)...



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