E ontem foi um dia-chave, com as entrevistas de
Eduardo Catroga ao "Diário Económico" e ao "Público".
Aos dois jornais, Catroga, apontado como futuro ministro das Finanças do PSD, defendeu o fim da taxa intermédia do IVA (13%) como uma solução para compensar a baixa da Taxa Social Única. O curioso é que no dia anterior Passos Coelho tinha dito que manteria os três escalões. Foi o suficiente para o PS desencadear mais um dos seus "blitzs" de comunicação, explorando as contradições. Ontem à tarde, Nogueira Leite, ao clarificar a posição do PSD sobre a TSU, ainda disse que o que conta é a posição de Passos Coelho (é ele que vai governar). Mas o mal estava feito...
O episódio da taxa intermédia é o espelho do desacerto do PSD, que todos os dias dá tiros nos pés (o episódio de ontem foi um tiro de "bazooka"). E Passos Coelho, em vez de se assumir como um líder com três ou quatro ideias-chave para o País, aparece como o candidato que tem de explicar, no dia seguinte, aquilo que disse no dia anterior (ele ou outros membros do partido).
O deslize de ontem, de consequências ainda imprevisíveis, será provavelmente mais uma ajuda para
José Sócrates, com o seu extraordinário marketing, dar a volta por cima. Tramando o PSD, que tinha tudo para brilhar neste assunto: foi o primeiro a propor a baixa da TSU e viu a medida consagrada nas recomendações da troika. Só faltava explicá-la ao País. Acabou borregando no mais fácil. Se perder as eleições, só poderá queixar-se de si próprio.