Luís Cervantes
Luís Cervantes 16 de Outubro de 2016 às 20:45

A regulação no universo dos seguros

O que a APROSE tem defendido é a uniformização da regulação em vigor a todos os modelos de negócio de modo a impedir que práticas distintas possam derivar em situações de concorrência desleal.

A APROSE- Associação de Agentes e Corretores de Seguros, juntou todo o setor naquele que é, há mais de 10 anos, o maior evento segurador do país. Este ano, em particular, a discussão urge. São muitos os desafios de um setor cuja importância não é de somenos: representa 8,2% do PIB e está presente no quotidiano de todos, empresas e famílias.

 

Porque não vivemos sem seguros, o agente ou corretor de seguros assume um papel muito relevante na vida das empresas e das famílias, na sua qualidade de interlocutor privilegiado desde a escolha à aquisição do seguro, passando pela sua gestão sempre que precisamos de o acionar. Por isso mesmo, os conhecimentos técnicos, a qualidade da interlocução e a rapidez no esclarecimento do cliente são valências que caracterizam a mediação profissional que, cada vez mais, deve ser exercida por profissionais preparados, com formação permanentemente atualizada e avaliada. E a sua importância é evidente: no segmento Não Vida - que inclui produtos tão incontornáveis como o seguro automóvel - 78% dos seguros têm a intervenção de um mediador, um sinal claro da sua importância no bem servir dos clientes.

 

Deste universo a APROSE tem como associados cerca de 1.400 agentes e corretores de seguros que representam os operadores de maior dimensão e com maior nível de profissionalismo. Simultaneamente, o século XXI trouxe um conjunto de desafios a todas as atividades económicas: a emergência do digital, a exigência cada vez maior da qualidade de serviço, o desenvolvimento de novos modelos de negócio têm revolucionado muitas indústrias e, claro, o setor dos seguros não é exceção.

 

Aproveitando um período em que será transposta para a lei portuguesa a Diretiva Europeia da Distribuição de Seguros, a APROSE quer situar o debate naquilo que considera fundamental:

 

1) Critérios rigorosos de acesso à profissão de mediador de seguros.

 

Existem em Portugal cerca de 23.000 mediadores de seguros autorizados pela Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões, a maioria esmagadora com baixa atividade e fraco nível de formação, que compromete a prestação de um serviço de qualidade aos clientes. A APROSE defende, por isso, um incremento dos critérios de acesso à profissão, contribuindo para um reforço do profissionalismo que resulte numa qualidade de serviço cada vez maior para os consumidores.

 

2) Regras iguais para todos os operadores

 

Nos últimos anos, além das companhias de seguros e da Mediação de Seguros têm emergido como atores deste mercado outros operadores. É o caso da banca, que já de há muito tem vindo a alargar a sua atividade ao ramo dos seguros, mas nem sempre da melhor forma nem com os melhores resultados para os consumidores. Basta ter em conta a pressão realizada para a venda vinculada dos seguros de Vida e do Multirrisco Habitação quando é celebrado um contrato de crédito habitação, que exclui automaticamente a possibilidade de se fazer esses contratos com o mediador de seguros. Ou as contrapartidas ao nível das carteiras de seguros exigidas às empresas que procuram os bancos para obterem linhas de crédito. Por outro lado, existem situações de uso abusivo de informação por parte de alguns bancos para implementar campanhas comerciais. Este facto foi alvo de uma queixa pela APROSE junto da CNPD.

O que a APROSE tem defendido é a uniformização da regulação em vigor a todos os modelos de negócio de modo a impedir que práticas distintas possam derivar em situações de concorrência desleal.

 

presidente da APROSE

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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