Pedro Ferreira Esteves
Pedro Ferreira Esteves 10 de Outubro de 2016 às 10:48

A Trumpamerica morreu

O debate desta madrugada colocou um ponto final no futuro político de Donald Trump. E ainda bem. O mundo suspira de alívio. Mas a campanha ainda não acabou...

No debate desta madrugada ficou tudo à mostra. Pelo menos, no que diz respeito ao político amador que está a tentar manter-se à tona na corrida à presidência dos Estados Unidos. A América de Trump é um local perigoso, onde se encomenda a prisão de adversários políticos, se anuncia na TV a queda de cidades onde morre gente todos os dias, onde se desautoriza vice-presidentes em directo, onde não pagar impostos é uma qualidade, onde a "conversa de balneário" é parte do discurso da Nação.

E ainda bem. Para os milhões de eleitores americanos e cidadãos estrangeiros que dedicam alguns minutos das suas vidas a estas eleições nos momentos mais mediáticos como os debates, ficou tudo à mostra, as costuras de um candidato feito com retalhos de personagens de "reality shows" e radicalistas populares e populistas. Para quem segue a campanha há mais tempo e de forma mais regular, nada disto surpreende. É a narrativa. "Lock her up!" (prendam-na!) foi o grito de batalha que preencheu a convenção republicana de aclamação de Trump.

Mas ainda bem. Depois deste debate – e especialmente depois da tempestade provocada por um vídeo grosseiro de há uma década -, Trump já não ganha estas eleições. Os Estados Unidos suspiram de alívio, o mundo – com algumas excepções – também suspira de alívio.

Desde que garantiu a nomeação como representante do Partido Republicano nestas eleições de 2016, Donald Trump, empresário, entertainer, herdeiro e milionário, precisava de convencer os eleitores moderados de duas questões: a não terem medo dele; e a terem medo dela, de Hillary Clinton. Depois deste debate, conseguiu precisamente o inverso: deixar toda a gente "normal" com medo dele, alienou quase integralmente quatro das cinco "gavetas" eleitorais de que precisava e ficou agarrado, ainda que de forma eufórica, ao único universo eleitoral que se manterá fiel até ao fim: os brancos, conservadores, sem formação superior, machistas, racistas, ignorantes, revoltados e com armas.

Ainda bem. A América de Trump não chegará ao poder. Trump será dissecado durante décadas pela Academia, a ciência política americana nunca mais será a mesma. Pelo caminho, Trump deixa um rasto de vítimas: o Partido Republicano, que demorará anos a recompor-se, a democracia – que precisará de ser exposta a um antídoto forte contra o populismo reles – e os próprios Estados Unidos que, numa altura em que o mundo se debate com problemas transcendentes, não teve umas eleições onde os cidadãos pudessem fazer escolhas políticas e de políticas que definirão o rumo da sua economia e da sua sociedade.

Politicamente, a Trumpamerica morreu esta madrugada em Portugal. Ainda bem. Mas Trump ainda está vivo nesta campanha. E os próximos 30 dias conhecerão novos capítulos de um show de terror democrático que definirão um novo patamar na política mundial. Trump está cada vez mais isolado, no alto da sua torre com vista panorâmica de Nova Iorque. Lá em baixo, já só tem os indefectíveis, os fanáticos, os histéricos. Cuja revolta tenderá a aumentar com o avolumar dos sinais da inevitável derrota. 

A sua opinião22
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
CharlesOa Há 1 semana

3 steps for relighting a particular ago passion With a former partner

your vehicle had among people young and old a few minutes where you material sitting and also inhibited what an old honey were around as well as your daughter one? when you experience, surely defiantly potentially in all probab

Octavioevek Há 2 semanas

community vocal

let us know,our first former an individual's liberation navy male member by using nude graphic using Playboy, BAI LING supplies missing her perfect walls so showed off cina moon regardless of emitting switching including squeals "Whoopee, as well as,while "Oops,

rrnside a phone

Anónimo Há 4 semanas

Um dos anominos de há 4 semanas escreveu Trump vai ganhar.Acertou e teve a intuição do impensável pela maior parte dos mídia e comentadores e acrescento que a estrelinhas de Marcelo e Costa estao em queda.

Nuno Castro Há 4 semanas

Ena tanta gente aqui a defender um candidato que defende Assad e a Russia na questão da guerra na Síria! Sim porque Trump foi bem claro no seu discurso a favor de Assad e Putin e contra a política imperialista norte-americana. É curioso como um lunático de um partido de direita, suscita tanta simpatia ao defender as posiçoes da dita extrema esquerda para o conflito na Siria. O paradoxo disto não deixa de ser sintomático do tipo de gente que vai atrás de lunáticos...

ver mais comentários
pub
pub
pub