Fernando Ilharco
Fernando Ilharco 27 de julho de 2017 às 21:15

Acabar em grande

Num projecto, numa reunião, numa venda, o final é o que realmente interessa. Começar bem e acabar mal é o que se lamenta muitas vezes.

Tantas vezes, quando nos aproximamos do final de um trabalho, de um esforço ao longo de algum tempo, quando estamos quase a atingir os objectivos, aliviamos a pressão, aligeiramos. Ouve-se: deitou tudo a perder, tinha o pássaro na mão e deixou-o fugir.

 

O problema é na fase final quando o bom já está acautelado, desaceleramos. Muito boa gente levanta o pé, desconcentra-se e o que podia ser muito bom acaba apenas mediano.

 

O final é o que fica na mente do cliente, do colega de trabalho, dos parceiros de negócios. Por isso, o mais problemático deve vir no início, ser ultrapassado rapidamente, e o mais motivador deve ser guardado para o final. Só acaba quando acabar. É necessário cuidar dos detalhes, confirmar o confirmado e manter o ritmo.

 

Nos Jogos Olímpicos da China em 2008, Usain Bolt fixou o recorde do mundial dos 100 metros. Numa corrida que deixou o mundo de boca aberta, Bolt terminou uns 3 metros à frente do segundo classificado. Quando cortou a meta fingia que bebia um café… Investigadores da Universidade da Noruega estudaram a velocidade e a aceleração de Bolt, comparando-as com as dos adversários, e concluíram que Bolt não acabou em grande. Não fosse o episódio do café, tivesse mantido o ritmo, e o recorde do mundo teria hoje menos 14 centésimos de segundo.

 

Vanessa Fernandes, campeã do mundo de atletismo, comentou um dia sobre as suas vitórias mais difíceis: "É quando a meta se aproxima e eu já não posso mais, que levanto o queixo e acelero." É o último esforço, é o mais difícil, mas tantas vezes é o decisivo.  

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