Fernando  Sobral
Fernando Sobral 05 de fevereiro de 2018 às 19:21

Afeganistão: guerra sem fim

A guerra no Afeganistão está a ganhar crescentes sinais de horror. Pelo meio, as alianças mudam e o Paquistão e os Estados Unidos parecem estar de costas voltadas.  

É uma guerra esquecida. Mas continua a ser um factor de desgaste e de fragmentação. Os mais recentes, e horríveis, atentados em Cabul mostram que o Afeganistão continua a ser um poço sem fundo. Nenhuma grande potência conseguiu, ao longo de séculos, ali impor qualquer paz. E nenhum poder central parece capaz de ditar as leis e a ordem. O mais surpreendente foram as palavras de Donald Trump, duras, recusando após os atentados qualquer tentativa de diálogo com os talibãs. Para ele, parece claro, a estratégia dos EUA passa por derrotar os talibãs através de uma vitória militar. Tudo somado: parece que os EUA estão a mudar a sua política face ao Afeganistão e, de certa maneira, face ao Paquistão. Pelo meio, em visita a Cabul, John Sullivan, vice-secretário de Estado norte-americano evitou criticar o Paquistão e não fechou a porta a conversações com os talibãs, mas no fundo assiste-se a uma alteração de parcerias regionais como não se via há muito. O Paquistão há muito que não é favorável às opções dos EUA, que passam por uma vitória militar. Até porque sempre teve uma ligação forte ao grupo que chegou a ter o poder em Cabul, sob as rédeas do mullah Omar. Por outro lado o Paquistão vê com crescente preocupação a influência da Índia no Afeganistão. Apesar de ter sido ao longo de décadas um forte aliado dos EUA, o Paquistão está a assistir à alteração estratégica de aliado (os EUA de Trump estão a tentar aumentar os laços com a Índia, para efeito de contraponto à China). A aproximação paquistanesa à Rússia e ao Irão é também cada vez mais evidente. A confiança do Paquistão é maior porque na União Europeia não há sinal de estar de acordo com Trump para se prosseguir uma via militar para derrotar os talibãs. É por isso de esperar uma guerra sangrenta no Afeganistão durante 2018.

 

Parece evidente que face a isso, o Paquistão vai optar por uma estratégia de processo de diálogo político, que conta com aliados como a Rússia, a China, o Irão, a Turquia e o Qatar. Colocando assim pressão nas ideias da administração Trump. Com a aproximação de Trump à Índia, e as suas críticas ao apoio económico e militar americano ao Paquistão, o caminho está feito para o Paquistão mudar de aliados. Por outro lado, o Paquistão e a China estão a estreitar a sua ligação económica, através da "Uma Faixa, Uma Rota" e a criação de um corredor comercial entre os dois países. O que serve para o Paquistão diminuir a sua dependência económica dos EUA. Um sinal dos novos tempos.

 

Japão e França: manobras militares no Pacífico

 

Nos últimos meses, tem sido visível a aproximação entre a Austrália e o Japão. O receio comum chama-se China. E a colaboração militar entre diferentes países da região Indo-Pacífico, que têm como contraponto o crescente poder da China na região, é notória. Agora, em Tóquio, os ministros da Defesa e dos Negócios Estrangeiros do Japão e de França (uma grande potência militar na zona, devido aos diferentes territórios que controla no Pacífico e Índico) assinaram um acordo bilateral de cooperação para defender uma região Indo-Pacífico "livre e aberta". Ao mesmo tempo que tem procurado estabelecer melhores relações com a China, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, está a procurar estabelecer um acordo com diferentes países que permita criar um contraponto à cada vez mais visível presença chinesa na região.

 

Nos mares do Sul da China, o controlo pelo Japão das ilhas Senkaku é contestada por Pequim, que lhes chama Diaoyu. Diversas operações navais chinesas nas águas em disputa têm causado mal-estar em Tóquio. Por outro lado, Paris e Tóquio têm criticado a construção de postos militares chineses em diversas ilhas e atóis desertos. O Japão está também a tentar aumentar as suas relações militares com a Grã-Bretanha. Entre França e o Japão ficou acordada a realização de exercícios militares navais conjuntos em Fevereiro, que contará com a fragata Vendemiaire, estacionada na Nova Caledónia, um dos seus territórios ultramarinos no Pacífico Sul. E ambos os países vão avançar para uma mais estreita colaboração na área militar, que passará pela criação de um veículo submarino sem tripulação. Se é certo que, só por si, França não tem poder militar para contrabalançar o da China, a sua conjugação com a de outros países (EUA, Índia, Austrália, Japão ou Indonésia) pode contrabalançar o de Pequim.

 

Timor-Leste: oposição une-se

 

As eleições ainda não têm uma data definida. Mas a Aliança para a Mudança e Progresso (AMP) é para já uma coligação da oposição timorense que a elas irão concorrer. Da AMP fazem parte o Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT), o Partido Libertação Popular (PLP) e o Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO). Taur Matan Ruak, líder do PLP e antigo Presidente da República, é o porta-voz da coligação, em conjunto com Xanana Gusmão e José dos Santos Naimori Bukar.

 

Timor-Leste: apoio da USAID

 

A USAID vai apoiar o desenvolvimento do turismo em Timor-Leste ao abrigo do projecto "Turizmu ba Ema Hotu" ou "Turismo para todos". O projecto, a três anos, vai acentuar a cooperação pública e privada para promover Timor-Leste como um destino fora dos percursos convencionais para o turismo de aventura e ecológico, havendo uma previsão de que estimule actividades e investimentos comunitários no valor de cerca de 25 milhões de dólares e criando cerca de mil empregos.

 

China: mais investimento

 

O investimento realizado por cidadãos da China em Portugal ao abrigo do programa de Autorização de Residência para Actividade de Investimento (ARI) ascende a 2.060 milhões de euros, num total de 3.588 vistos dourados. Em termos acumulados - desde que os vistos dourados começaram a ser atribuídos, de 8 de Outubro de 2012 até Dezembro último -, o investimento total captado com este programa atingiu 3.411 milhões de euros, representando o investimento chinês cerca de 60% do total angariado. O investimento de cidadãos chineses em 2017 ascendeu a 306,3 milhões de euros, com a atribuição de 538 vistos, representando aquele valor uma quebra de 37% face aos 487,4 milhões de euros, com 848 vistos dourados, registados em 2016.

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